Petrobras

Privatização da Liquigás deve aumentar o preço do gás de cozinha

Liquigás pode ser o próximo patrimônio da Petrobrás a ser privatizado

Curitiba (PR)

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Concorrem na compra da Liquigás a Ultragaz, do grupo Ultra, primeira no mercado nacional, e a Supergasbras, do grupo holandês SHV, a terceira maior no comércio de gás de cozinha no país / Divulgação

A privatização da Petrobrás começa no poço de petróleo, vai até o posto de combustível, mas antes passa pela cozinha da sua casa. Por debaixo dos panos e com muita pressa, o governo interino de Michel Temer (PMDB) desmonta a empresa estatal a partir da venda de ativos de patrimônio.

Já foi privatizada a reserva de Carcará, área na camada de Pré-sal, com pelo menos 700 milhões de barris, parte da Gaspetro e várias empresas da estatal brasileira no exterior. A próxima vítima é a Liquigás Distribuidora S.A, cujas negociações já estão em andamento. Se for concretizada, a medida prejudica os consumidores. 

“Com a privatização da Liquigás, corremos o risco de ter um gás de cozinha mais caro, menos pessoas empregadas no setor de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), menos competitividade entre as empresas, podendo gerar a formação até de cartel”, disse Wagner Silva, diretor da Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo de São Paulo, durante debate na Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal.

Venda do produto mais importante 

O anúncio da venda despertou interesse das maiores distribuidoras de GLP do país. “A Liquigás é líder no mercado de botijões de 13kg, os mais usados nas residências. Parece que só o presidente da Petrobrás no governo interino, Pedro Parente, não tem interesse nessa subsidiária altamente lucrativa”, disse Mário Dal Zot, presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina. 

A expectativa dos mercadores da Petrobrás é de que o comprador da Liquigás seja anunciado em setembro. Concorrem na compra da Liquigás a Ultragaz, do grupo Ultra, primeira no mercado nacional, e a Supergasbras, do grupo holandês SHV, a terceira maior no comércio de gás de cozinha no país. “O curioso é que o processo de venda da subsidiária tem a participação de executivos do Itaú, um dos donos do grupo Ultra. A privatização é prejuízo certo para a população”, denuncia Dal Zot.