Eleição Municipal

Nem prá lá, nem pra cá: gestão de Fruet é vacilante

Balanço da gestão do prefeito Gustavo Fruet (PDT) aponta indefinição frente às máfias do transporte, lixo e especulação

Curitiba

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Promessa de destinar 1% do orçamento para investimento direto em cultura não foi cumprida / Manolo Ramires

Recentemente, em frente à Prefeitura de Curitiba, o movimento de moradia cortou um bolo, dedicado ao prefeito Gustavo Fruet (PDT). Gente de três áreas de ocupação surgidas em menos de quatro anos torciam para que a pauta do aluguel social fosse implantada, um ano depois da sua aprovação na Câmara Municipal.

Na lista que marca as promessas do programa de campanha, muita coisa foi apontada em 2012. Pouca coisa feita. A gestão agora apresenta números, entre os quais o aumento dos equipamentos públicos: 410, entre 2011 e 2016. Fala também no número de 10 mil regularizações e 10580 novas casas. A promessa de campanha era fazer 15 mil novas habitações.

“Nossa impressão é que a maioria destas 10 mil casas foi iniciada no governo Ducci (PSB). Além disso, a grande maioria é de faixa 2, para o pessoal que tem mais condições. Mas como paralisou o programa Minha Casa, Minha Vida, a Prefeitura ficou a ver navios também. Até diminuiu o orçamento de 0,9% em 2015 para 0,6% em 2016”, afirma Fernando Marcelino, da direção do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que realizou o ato de crítica ao prefeito.

Poucas mudanças

André Machado, militante sindical e blogueiro, analisa que a gestão Fruet herdou das anteriores (Beto Richa e Luciano Ducci) “uma terra arrasada em quase todas as políticas públicas”. Ele aponta também a ajuda de recursos do governo federal para programas realizados. Na sua avaliação, abriram-se canais de diálogo com o povo, no primeiro ano de mandato.

Porém, ele traz a percepção de que as mudanças não tocaram nas questões de fundo da cidade, o que se verificou agora na postura de Fruet nos dois primeiros debates para as eleições de 2016. “Não tem nenhum tipo de iniciativa para questionar o poder econômico na cidade, para segurar o preço da passagem de ônibus. Não há disposição de fazer grandes mudanças na cidade”, comenta.  

Perfil

Gustavo Fruet migrou do PSDB para o PDT, para uma aliança com o PT na campanha de 2012. Vencia numa cidade dominada pelo PSDB. Talvez o prefeito não esperasse uma reação forte dos servidores públicos e do movimento de moradia. Greves, atos, paralisações e mobilizações se mantiveram. A frágil aliança que manteve com o PT e com movimentos sociais em 2012 passava então a se romper.

Em 2016, Fruet dá um giro em torno de si mesmo: buscou reaproximação com o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB). Aproximou-se de quem havia se distanciado no episódio dramático do dia 29 de abril de 2015, quando mais de 200 trabalhadores são reprimidos. A Prefeitura, naquele episódio, acolhe os feridos. Enquanto Richa havia se limitado a declarações na imprensa. Agora, apesar do esforço, Richa prestou apoio à candidatura de Rafael Greca (PMN) e não à tentativa de reeleição de Fruet.

Check list

Cultura: A promessa de destinar 1% do orçamento para investimento direto em cultura não aconteceu.

Transporte público: Fruet não enfrentou a máfia das famílias donas das concessões do transporte, mesmo com decisão do Tribunal de Justiça pela revisão do contrato, considerado ilegal, após CPI na Câmara, e decisão colegiada do Tribunal de Contas no mesmo sentido.

Aterro sanitário: Em tempos de crise financeira, a Prefeitura firmou contrato com o International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, contratado sem licitação. Informações oficiais apontam que o estudo deveria ficar pronto em agosto de 2016, ao custo de R$ 5,2 milhões. Deste valor, R$ 1,3 milhão seriam pagos pela Prefeitura. Até o momento, a cidade segue sem alternativa para os lixões.