EDUCAÇÃO DO CAMPO

Juventude das EFAs conquistam direito após mobilização

Governo repassa recurso fundamental para a manutenção das Escolas Famílias Agrícolas

Belo Horizonte

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Em Minas Gerais, aproximadamente 2 mil jovens do campo estudam nas EFAs / Júlio Pacheco

Estudantes e educadores das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) comemoraram, na última semana, uma conquista para a educação do campo. Cerca de 550 pessoas de várias regiões de Minas Gerais se reuniram em Belo Horizonte, na Cidade Administrativa, em uma manifestação para cobrar do governo estadual o repasse do Bolsa Aluno, que ainda não tinha sido realizado neste ano.

O Bolsa Aluno é um direito conquistado pelo movimento das EFAs, garantido pela lei estadual 14.614/2003 e pelo decreto estadual 43.978/2005, que diz respeito ao apoio financeiro às associações mantenedoras das escolas. Após a pressão, o recurso foi, finalmente, repassado pelo governo estadual. 

Na avaliação do assessor técnico e pedagógico da Associação Mineira das Escolas Famílias Agrícolas (AMEFA) Júlio Pacheco, a mobilização das EFAs, que acontece desde o início do ano, possibilitou o aprendizado e politização dos jovens. “O ato de se manifestar publicamente contribui para a formação da juventude, pois permite que ela vivencie a explicitação das contradições sociais. Entenda que temos uma sociedade dividida em oprimidos e opressores e que a mudança dessa condição depende de organização e de lutas”, ressalta.

Além do repasse, que foi realizado no dia 18 deste mês, o movimento conseguiu que o Estado garantisse o financiamento da educação de jovens e adultos e a constituição de um grupo de trabalho para continuar o debate sobre a educação do campo.

Educação contextualizada

As EFAs são escolas comunitárias localizadas em áreas rurais que atendem, prioritariamente, jovens provenientes da agricultura familiar, a partir de um método alternativo de ensino e aprendizagem que dialogue com a realidade do campo. 

Gilmar de Souza oliveira, educador popular da EFA Paulo Freire, localizada em Acaiaca, na Zona da Mata mineira, explica que a orientação fundamental das EFAs é a pedagogia da alternância. Basicamente, essa metodologia se baseia na divisão dos estudantes em dois tempos e espaços letivos que se alternam, ou seja, a cada mês, eles passam duas semanas na escola e duas semanas na família e comunidade.

“Essa proposta de formação parte da realidade do campo, das coisas vividas pelos agricultores. É uma educação contextualizada. A vivência em cada lugar é que embasa o plano de educação e formação”, conta Gilmar.

Em Minas Gerais, aproximadamente 2 mil jovens do campo estudam nas EFAs, tanto no ensino fundamental quanto no médio, este com curso técnico em agropecuária integrado.