Mobilização

Grito dos Excluídos também pede “Fora, Temer”

Dezenas de cidades realizaram protestos no dia da Independência, reunindo 230 mil pessoas em todo o Brasil

Belo Horizonte

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Ato em BH começou na Praça Raul Soares e seguiu até a Praça da Estação / Divulgação

As ruas estavam diferentes hoje”, notou o professor Saulo Nogueira na tarde ensolarada de quarta (7) em Belo Horizonte. Ele não se referia ao desfile militar típico da celebração do Dia da Independência, mas à quantidade de pessoas que se somaram ao protesto do Grito dos Excluídos. Em sua 22ª edição, o ato organizado por movimentos e pastorais sociais somou à sua pauta a palavra de ordem “Fora, Temer”. Segundos os organizadores, aconteceram atos em 26 estados e no Distrito Federal, com a participação de cerca de 230 mil pessoas.

Na capital mineira, o ato começou cedo e entrou tarde adentro. Cerca de 30 mil pessoas se somaram ao protesto, entre jovens, trabalhadores de áreas diversas, idosos, crianças, profissionais liberais e religiosos. “Essa quantidade de pessoas diferentes não se via em outros protestos”, percebeu Saulo.

Outra participante, Ana Carolina Vimeiro, também professora, acredita que uma das motivações para a expressiva participação é a ameaça de cortes de direitos, especialmente na área da educação. “Mesmo assim, precisamos chegar a mais pessoas. Há muita gente que está descontente com o governo Temer, mas ainda não está se manifestando”, pontua. 

Saídas políticas

Por todo o país, a cobrança por eleições diretas ganha as ruas. A pauta se fortaleceu depois da aprovação definitiva do impeachment de Dilma Rousseff. O advogado e integrante da direção nacional da Consulta Popular Ricardo Gebrim explica que o objetivo é forçar a renúncia de Michel Temer ainda em 2016, para que o povo possa escolher diretamente que presidente quer. 

Além do “Fora, Temer”, “Diretas Já” e “Nenhum direito a menos”, o advogado defende que as organizações políticas precisam se articular para pressionar pela realização de uma assembleia Constituinte, para fazer a mudança do sistema político. Gebrim defende que as eleições como se organizam hoje não garantem a representação da vontade popular e que é necessário mudar esse modelo. “Quem não arrisca não tem a possibilidade de ganhar”, defende.

 

Edição: Joana Tavares