Eleições 2016

Cinco entre os nove candidatos à Prefeitura vêm de famílias tradicionais da política

Famílias que possuem mais redes, cargos e recursos ocupam o poder político, afirma o professor da UFPR, Ricardo Oliveira

Redação (PR)

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Os cinco candidatos ligados a famílias tradicionais também são os que possuem as maiores coligações na disputa / Prefeitura

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Paranaenses da Universidade Federal do Paraná (UFPR), cinco entre os nove candidatos para prefeito de Curitiba pertencem a famílias tradicionais da política: Gustavo Fruet (PDT), Rafael Greca (PMN), Ney Leprevost (PSD), Maria Vitória (PP) e Requião Filho (PMDB).

“Os partidos não são mais do que braços dessas famílias. E são exatamente estes cinco candidatos que possuem as maiores coligações na disputa”, aponta a pesquisa do internacionalista e doutorando em Sociologia pela UFPR, Fernando Marcelino. Nesse sentido, as velhas oligarquias que dominam o Paraná, segundo ele, passam a ter mais chances de gerir o Estado com suas novas gerações. 

Para Ricardo Costa Oliveira, doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor da UFPR, esse quadro municipal está relacionado com o fato de a família ser a unidade social de participação na política dos grupos dominantes. “Política é 'negócio' de famílias, isto é, quem tem uma grande tradição na ocupação do poder político são as famílias que possuem mais redes, cargos e recursos, inclusive financeiros”, garante Oliveira. 

Como exemplo, o professor cita a composição do governo do Paraná, com famílias políticas que têm atuação no Executivo, Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas, cartórios, empresas da grande mídia e em boa parte do empresariado. 

Além dos candidatos mencionados, também concorrem o ex-bancário, deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná, Tadeu Veneri (PT); a advogada, membro do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher em Curitiba e militante feminista, Xênia Mello (PSOL); o empresário Ademar Pereira (Pros) e Afonso Rangel (PRP), pró-reitor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Exceto a candidata Xênia Melo, que faz aliança com o PCB, os três outros candidatos não apresentam coligações. 

Segundo Oliveira, outro caminho para pertencer ao poder politico é estar no campo do capital econômico. Nesse sentido, apesar de não possuir grau de parentesco extenso com as oligarquias políticas do Estado, o empresário Ademar Pereira é o candidato com maior quantidade de bens declarados na Justiça Eleitoral, com R$ 4,1 milhões. 

Enquanto isso, Afonso Rangel declarou um patrimônio de 1, 2 milhão. Tadeu Veneri é o segundo candidato com menor patrimônio: R$ 342,2 mil. Xênia Mello declarou não possuir bens em seu nome.