RISCO

Sem vigias, escolas e Umeis de BH vivem onda de furtos

Foram levados computadores, alimentos e as até câmeras de vigilância

Belo Horizonte

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Sindicato exige que a PBH contrate novamente os 500 vigias demitidos / Reprodução / PBH

Alunos e professores de Belo Horizonte têm sofrido após as demissões dos mais de 500 porteiros e vigias noturnos das Unidades de Educação Infantil (Umeis) e escolas municipais. Com a ausência dos funcionários, os servidores relatam um aumento alarmante de furtos e invasões nas unidades. 

De acordo com o Sindicato do Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (SindRede-BH), já são mais de 20 instituições arrombadas. A que mais sofreu, até o momento, foi a Umei Nova Esperança, da Regional Noroeste, invadida cinco vezes - três em menos de 10 dias. Dos locais são levados mantimentos usados na merenda dos estudantes, computadores, pertences de professores, entre outros. O sindicato relata que muitas escolas também estão sendo usadas para consumo de drogas. 

“Os alunos ficam muito prejudicados. Após um arrombamento, eles não têm aula por pelo menos um dia. Os funcionários estão com medo, muitos já foram afastados com suspeita de síndrome do pânico”, relata o diretor do SindRede Wanderson Rocha. Ainda segundo ele, o acordo com a Prefeitura prometia uma parceria com a Polícia Militar e Guarda Municipal para que fossem efetuadas rondas nas instituições, que não estaria sendo cumprida. 

Falsa economia 

Wanderson explica que os vigias e porteiros foram substituídos por sensores de movimento e monitoramento de uma empresa particular que conta com quatro motos, quatro carros e um telefone para atender possíveis ocorrências. O diretor ressalta que o número não estaria sendo suficiente para supervisionar as mais de 300 unidades educacionais de BH.

“Quando a PBH iniciou as demissões, justificou a medida com a economia dos gastos, mas a cada nova situação de roubo aumentam os prejuízos, novos equipamentos e alimentos têm que ser comprados. Até as câmeras de vigilância são furtadas”, afirma Wanderson. Ele explica também que os vigias eram escolhidos por serem figuras de referência nas comunidades que atendiam, o que ajudava a evitar os crimes. 

O sindicato exige que a PBH contrate novamente os trabalhadores responsáveis pela segurança das escolas. Em nota pública, os trabalhadores pedem pela revogação das exonerações e apoio dos pais e associações de bairro para evitar novos riscos. 

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Belo Horizonte argumentou que os casos estariam acontecendo apenas na Umei Nova Esperança e que “está fazendo o possível” para solucionar os problemas. A PBH não se manifestou sobre a recontratação dos vigias, parceria com a PM e insuficiência de mão de obra para fiscalizar as unidades.