Cultura

Cinema: "Lua em Sagitário", uma aventura e a luta de classes

Com uma narrativa romântica e adolescente, regada a muito rock n’roll, “Lua em Sagitário” chegou à televisão

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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A protagonista vem de uma família tradicional que defende a meritocracia, já seu par romântico foi criado sob os princípios da solidariedade / Divulgação

Ana, de 17 anos, conhece o jovem Murilo em uma pequena cidade do oeste catarinense, na divisa com a Argentina. Se apaixonam e se lançam em uma aventura de moto rumo ao mar. Uma história banal e descompromissada, não fosse ele um filho de sem-terra, morador de um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Com uma narrativa romântica e adolescente, regada a muito rock n’roll, “Lua em Sagitário”, estreou em setembro de 2016 e na última semana chegou ao Canal Brasil. A protagonista, interpretada pela estreante Manuela Campagna, vem de uma família tradicional que defende a meritocracia e o esforço individual. Murilo, vivido pelo ator Fagundes Emanuel, foi criado sob os princípios da solidariedade e da liberdade.

O namorico entre os dois permite uma descoberta que vai além das sensações corporais, que permeia a luta de classes e o ódio que as elites têm dos pobres no Brasil. Sem ser panfletário, o filme mostra Ana desvestir seu preconceito e conhecer de perto o MST.

Com estrutura avançada e uma cooperativa, o assentamento em Dionísio Cerqueira (SC), onde cresceu Murilo, vende produtos “até para a capital”. E Ana conhece as músicas, as bandeiras e a esperança de quem luta pela transformação da sociedade. 

O filme, dirigido por Márcia Paraíso, é sutil ao abordar a contradição, mas certeiro. Me fez lembrar uma uma pessoa que dizia que se um dia conhecesse o MST, talvez mudasse sua opinião contrária à ocupação de terras. 

E de fato. Nada mais pertinente para curar o senso comum que o conhecimento. 

*Larissa Costa é feminista e comunicadora popular

Edição: Joana Tavares