Sul de Minas

População se mobiliza contra privatização de águas minerais

Cidades do sul de Minas, famosas por suas águas terapêuticas, podem ser alvo de exploração de empresas

Belo Horizonte (MG)

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Abaixo-assinado está sendo organizado contra a exploração das águas da região / Marcelo Mendes Britto

A ONG Nova Cambuquira, da cidade de Cambuquira, sul de Minas, está organizando um abaixo-assinado contra a exploração e venda das águas minerais da região. A ONG se posiciona contra uma consulta pública aberta pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e que pretende buscar empresários interessados em usar as águas de forma comercial. 

A consulta foi lançada em 3 de fevereiro e está aberta até 23 para “selecionar junto a iniciativa privada, potenciais parceiros e modelos de negócio para exploração das fontes, das marcas e dos ativos industriais”, segundo a companhia. A Codemig é detentora do direito de exploração de águas minerais de Poços de Caldas, Caldas, Tiradentes, Araxá, Caxambu, Cambuquira, Lambari e Conceição do Rio Verde.

Para a cidade de Cambuquira isso significa a retomada do engarrafamento de água. De acordo com divulgação da Codemig, podem ser retiradas das estâncias minerais, a cada oito horas, cerca de 28 mil garrafas de 310 ml e 33 mil garrafas de 510 ml, o equivalente à exploração de 25 mil litros por dia. Caxambu, que também será licitada, terá cerca de 24 mil litros retirados por dia.

Cidadãos descontentes

Para a ONG Nova Cambuquira, a licitação abre margens para o engarrafamento de água até que as reservas locais acabem. “Atualmente, a água mineral faz parte do código de mineração, o que significa que pode ser explorada até o seu esgotamento, assim como aconteceu com o ouro”, destaca, em nota. O abaixo-assinado online já conta com 2 mil assinaturas e pede que as águas, que possuem valor cultural e terapêutico, sejam protegidas pelo poder público.

O abaixo-assinado pode ser acessado em: http://migre.me/w4OBD

Edição: Joana Tavares