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Anacélie Azevedo: mulher petroleira em tempos de retrocesso

Técnica química da Petrobras enfrenta duas facetas de um mesmo golpe: violência de gênero e entrega do petróleo

Brasil de Fato, Curitiba (PR)

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Anacélie é sindicalista e militante da Marcha Mundial das Mulheres / Daniel Giovanaz

Cerca de 90% dos trabalhadores da indústria do petróleo no Paraná são homens. As poucas mulheres costumam ocupar cargos na área administrativa, e são ainda mais raras as que trabalham em fábricas e laboratórios. Uma delas é a gaúcha Anacélie Azevedo, técnica química que entrou na Petrobras através de concurso público em 2006.


O golpe foi machista


Desde que passou a integrar a direção do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), como secretária de formação e cultura, ela nunca enfrentou um contexto político tão desfavorável. “Primeiro que o golpe foi machista”, analisa.

“Foi muito usada a violência de gênero para tentar ofender, vulnerabilizar a Dilma perante a sociedade”, conclui Anacélie, militante da Marcha Mundial das Mulheres.

Assim como o golpe atingiu a sindicalista na sua condição de mulher, ela entende que os impactos para a indústria petrolífera foram devastadores.

Em novembro, Michel Temer (PMDB) alterou as regras de exploração do pré-sal e entregou as reservas de bandeja para as multinacionais. A diminuição dos concursos para a estatal também preocupa: “A entrada de mulheres na Petrobras aumentou 110% nos últimos sete anos. Agora, sem concurso, esse avanço vai parar”.

Anacélie considera que a onda conservadora tem prazo de validade. “Vamos ter muitas perdas, mas é um ciclo”, interpreta. A receita para virar o jogo, segundo ela, é simples: investir na formação para combater o machismo, resgatar o trabalho de base – a exemplo do que era feito nos anos 80 e 90 – e fazer política "para além das eleições".

Ou seja, transformar o abatimento das derrotas em motivação para lutar.

Edição: Ednubia Ghisi