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Artigo | Das coisas que só acontecem no Brasil

Do lado de cá, do lado do povo, o que temos certeza é que antes de tudo é preciso dar legitimidade a este país

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Aristóteles Cardona Júnior é Médico de Família no Sertão pernambucano, Professor da Univasf e militante da Frente Brasil Popular-Pernambuco / Arquivo pessoal.

“Tem coisas que só acontecem no Brasil”. Esta frase. Lembro de já ter escutado ela umas duzentas vezes e sempre desconfiado com estas comparações com outros países que mal conheço. Mas a verdade é que nos últimos meses tem mesmo acontecido tanta coisa inacreditável por estas bandas que parece difícil imaginar algo parecido em qualquer outro lugar.

Há pouco mais de um ano assistimos a uma Presidenta da República, eleita com mais de 54 milhões de votos, ser derrubada sem ter cometido um crime sequer. Do outro lado, temos um presidente, o Michel Temer, que não foi eleito e portanto não possui legitimidade alguma para ocupar este local, mas foi flagrado em conversa com um criminoso assumido, dono da JBS, defendendo atos criminosos. E permanece no cargo como se nada tivesse acontecido.

Outro ocorrido que choca é a brutal diferença do tratamento dispensado a dois senadores da República em episódios distintos. No final de 2015, o agora ex-senador Delcídio do Amaral foi preso e posteriormente cassado com a acusação de que teria tentado dificultar as investigações contra si próprio na Operação Lava Jato. Do outro lado, temos um senador da República do PSDB, o Aécio Neves, que é flagrado em gravações pedindo R$ 2 milhões em propina, conversando sobre tráfico de drogas e até falando em matar alguém que receberia dinheiro para ele! Declarações graves, mas nem sinal de prisão até agora! E ao que parece segue fazendo política.

E como não citar a última Greve Geral, no dia 28 de abril, que contou com a paralisação de mais de 35 milhões de pessoas em todo o Brasil, mas que a grande mídia escondeu e quase não falou sobre ela?

A grande questão que unifica todos estes exemplos citados anteriormente é o papel da imprensa. Da Globo. Dos grandes jornais. Eles sempre escolhem qual assunto darão destaque naquele momento específico. E desta maneira sabem como criar “culpados” e “inimigos” de acordo com seus próprios interesses, interesses da classe exploradora deste país.

Do lado de cá, do lado do povo, o que temos certeza é que antes de tudo é preciso dar legitimidade a este país. Governo ilegítimo que assumiu sem eleições não dá. E aí somente com eleições teremos condições de lutar pelo que o nosso país precisa. De mais e mais democracia. Democratização das comunicações. Mais Saúde. Mais Educação. Mais vida para que o povo retome o orgulho de ser brasileiro.

Edição: Monyse Ravena