Moradia

PR: Ocupação em Londrina conquista transporte público

Linha de ônibus em bairro é conquista de comunidade ameaçada de despejo

Brasil de Fato | Londrina (PR)

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Antes da chegada da linha de ônibus, moradores tinham que caminhar quase 4 km em meio ao barro até chegar a alguns pontos. / Jaqueline Vieira

Moradores e moradoras da Ocupação Flores do Campo, localizada em Londrina, no norte do Paraná, não precisam mais encardir os pés de barro para sair de casa. Desde o dia 30 de agosto, pessoas podem se deslocar de uma forma melhor, já que a linha de ônibus '430-Flores do Campo' passou a circular no bairro. O destino da linha é terminal Gavetti,que dá acesso a outras linhas que levam ao Centro da cidade. 

Os moradores que estão no local há quase um ano contam que era preciso andar cerca de quatro quilômetros para chegar até alguns pontos. Em dias de chuva, a situação das pessoas ficava ainda pior - as ruas, que não são pavimentadas, ficavam cheias de lama. “Para ir atrás de um emprego, de um médico, escola, você tinha que amarrar várias sacolas nos tênis, dar um passo e escorregar dois e ir patinando até chegar no asfalto”, conta Eliane Marques dos Santos, moradora da ocupação. Ela recorda que se sentia constrangida, pois, mesmo usando sacolas de plástico, os calçados e roupas sujavam muito. “Por isso que o ônibus pra nós foi uma grande vitória”, comemora.

O transporte, porém, não funciona aos finais de semana e feriados. Nos dias úteis, o último ônibus sai em direção ao bairro até às 19h45, e volta ao terminal às 20h05. Mas Eliane, que trabalha no preparo de salgados e bolos, acredita na implementação do transporte como o início de bons frutos para a Ocupação. “Como por exemplo, um acordo [com o poder público] pra gente estar regularizado na moradia”, completa.

Ocupação

A circulação de uma linha de ônibus no bairro foi uma das reivindicações trazidas pelos moradores durante a audiência pública realizada na Ocupação, no dia 25 de agosto. A atividade foi realizada após os moradores terem sido surpreendidos com a notícia de uma suposta reintegração de posse. Os habitantes da Flores do Campo também exigiram respostas em relação à possibilidade de despejo.

 Cerca de 400 famílias - ou 3 mil pessoas - vivem no local. “Não estamos pedindo nada demais. Só queremos saber para onde nossas famílias vão ser levadas se forem nos tirar daqui”, questiona a cabeleireira Geise da Cruz Botelho Marques.

Antes de ser ocupada no dia 1 de outubro de 2016, a ocupação Flores do Campo era a área canteiro de obras parado há cerca de seis meses. Ali seriam construídas 1.218 unidades habitacionais, de 39 a 41 metros quadrados, por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), do Governo Federal.  

A construtora responsável pelo empreendimento, no entanto, descumpriu o contrato com a Caixa Econômica Federal e paralisou a obra no início de 2016. No lugar de trabalhadores da construção civil, a empresa mantinha na área apenas seguranças privados. Segundo a Caixa, apenas 48% da obra está concluída. Até a data da ocupação ela já somava 21 meses de atraso - ou seja, quase dois anos, se considerado o prazo inicial para conclusão.

 

Edição: Franciele Petry Schramm