FUTEBOL FEMININO

“Meninas jogando é que não falta, o que falta é incentivo”, diz ex-capitã da seleção

Para Marisa Nogueira, o futebol feminino não é tratado como o masculino por falta de respeito

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Ao falar do futebol feminino, a ex-atleta admite melhoras no cenário nacional, mas acredita que ainda há muito o que avançar / Divulgação

Há 35 anos trabalhando com futebol feminino, Marisa Nogueira tem vasta trajetória na história do esporte. A ex-atleta, que hoje atua como treinadora, foi capitã da primeira Seleção Brasileira formada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para disputar o primeiro Campeonato Mundial da FIFA, o Mundial Experimental, realizado em Guangdong, na China, em 1988.

Ao falar do futebol feminino, Marisa Nogueira admite melhoras no cenário nacional, mas acredita que ainda há muito o que avançar. Para ela, o esporte não é tratado como a modalidade masculina por falta de respeito. “Na nossa época era pior do que agora, mas ainda precisamos de recurso para alavancar o futebol feminino. Meninas jogando é que não falta. O que falta é incentivo”, afirma. 

Antes de se tornar treinadora, Marisa foi zagueira da seleção. Nesse período, participou de três mundiais - 1988 e 1991 na China e 1995 na Suécia -, além de uma edição dos Jogos Olímpicos, em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, e dois Sul-Americanos, em 1991 e 1995 no Brasil. Mais tarde, como treinadora Marisa atuou no Vasco, na Portuguesa e no Barcelona Esporte Clube do Rio de Janeiro.

Hoje, trabalhando com time feminino amador, Marisa reclama a falta de reconhecimento, após tantos anos de dedicação ao esporte. “Falta reconhecimento com as ex-atletas, somos capacitadas mas não nos procuram para nada. Por que só tem duas mulheres na comissão técnica da seleção feminina, se é um time de mulheres. Que limitação é essa? Isso é um absurdo”, questiona. 

Em parceria com antigas colegas da seleção, Marisa criou a associação Bola de Ouro. A maioria delas, que já disputou mundiais e Olimpíadas, está desempregada porque os poucos times femininos que existem escolhem homens para serem treinadores e formar a comissão técnica. “Temos um time master e estamos querendo competir nas Olimpíadas. O grupo foi criado para a gente ter novas expectativas e ninguém ficar parado. A ideia é nos movimentar. Não vou desistir, sempre estou brigando por nossa categoria”, conclui a capitã, que aposentou as chuteiras, mas não perde o espírito de liderança.

Edição: Vivian Viríssimo