Opinião

Artigo | MBL: um movimento sem movimento

No congresso do MBL em Curitiba, não apareceu ninguém, nem para brigar nem para participar

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Após apoiarem o golpe contra Dilma, o MBL passou a ajudar o Temer a governar, com discursos ultra-liberais / Marcos Oliveira

O Movimento Brasil Llivre (MBL) foi um dos grupos fabricados para dar uma “cara pública” para as mobilizações pelo impeachment de Dilma Rousseff. Não havia como dar um golpe sem mobilizações de massa. Os partidos e políticos da direita tradicional não tinham prestígio nem entre seus eleitores para protagonizar aquele processo, e não daria certo se não parecesse para as pessoas que saíram às ruas como algo espontâneo. Então, os empresários que pensam a política no Brasil reuniram um grupo de jovens liberais com algum preparo, lhes deram estrutura, dinheiro e visibilidades em veículos de imprensa. Assim se produziu um “movimento”.  

A princípio, diante da crise econômica que se abatia no Brasil, bastava o anti-petismo e jargões empresariais do senso comum para consolidar um discurso convincente. Após o golpe, passaram a ajudar o Temer a governar.  

No outro lado do front, agora como signatários de um governo com apenas 3% de popularidade, adotaram um discurso ultra-liberal para justificar o desmonte do Estado brasileiro e a redução de direitos dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, para lhes garantir audiência, assumiram uma agenda ultra-conservadora, enfrentando estudantes ocupados, assumindo a campanha pela censura nas escolas e, mais recentemente, nos museus. Passaram, portanto, a se comportar como um pequeno grupo que vive do conflito, para lhes garantir holofotes e uma conexão com o conservadorismo religioso.  

Não há no MBL a organização da aspiração de uma parcela da juventude que almeja qualquer futuro melhor. Eles carregam apenas uma pauta destrutiva daquilo imposto pelo medo cego proveniente da ignorância. São um movimento que não tem movimento. 

Na última semana, realizaram seu Congresso em Curitiba, em um auditório da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Logo em uma universidade pública, quando defendem sua privatização. Uma grande contradição. Esperavam que o fato de fazerem seu evento na UFPR geraria um conflito com militantes progressistas, colocando-os em evidência. Tentaram envolver a esquerda em uma armadilha. Porém, como foram tratados com a irrelevância devida, não apareceu ninguém, nem para brigar nem para participar. 

*André Machado é diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e presidente do PT Curitiba 

Edição: Ednubia Ghisi