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Em Niterói, Complexo Esportivo Caio Martins sofre com o abandono

Caio Martins foi o primeiro estádio a ser usado como prisão política na América Latina

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Estádio Caio Martins / Foto: Niterói Urgente

Por trás dos 76 anos do Estádio Caio Martins, localizado na cidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, há uma história repleta de glória, dor e abandono. Considerado o principal espaço público destinado à prática esportiva no município, o local atualmente luta contra a falta de investimento para manter as atividades funcionando.

Um usuário do Caio Martins, que prefere não se identificar, contou para a Radioagência Brasil de Fato que a situação do Complexo Esportivo está precária e os projetos sociais estão funcionando com uma infraestrutura deficiente.

“O Caio Martins vive num completo abandono, hoje não tem funcionário. Professores têm muito mal, os projetos que hoje funcionam ali dentro, funcionam precarizados, porque não tem estrutura. A piscina não tem manutenção. O ginásio não tem piso e tem goteira. É triste ver o estado do Caio Martins,” destaca.

O Estádio que hoje está sob a concessão do Botafogo de Futebol e Regatas carrega duras marcas dos anos de chumbo no Brasil. O Caio Martins foi o primeiro estádio a ser usado como prisão política na América Latina. A transformação do espaço em cadeia ocorreu logo após o golpe de 1964. Estima-se que mais de 1000 pessoas foram presas no local. Segundo a Comissão da Verdade de Niterói, entre os detidos estavam jornalistas, advogados e, principalmente, trabalhadores envolvidos com atividades sindicais.

O deputado estadual Gilberto Palmares, do PT, é autor do Projeto de Lei 1752/2012, que tem como objetivo resgatar a história presente por trás das arquibancadas do estádio. Ele explica que é fundamental recuperar a memória dos anos de chumbo para evitar que episódios como este se repitam.

“Tomba por interesse cultural, o que significa que em aprovando não pode mexer nas características dele e além disso, autoriza o Estado a colocar ali um centro de Memória contra a repressão,” afirma.

Palmares informou que já entrou em contato com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a Alerj, Jorge Picciani, do PMDB, para que o projeto entre em votação o mais breve possível.

A reportagem entrou em contato com a Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro, a SUDERJ, que é responsável pela administração e operação do Complexo Esportivo Caio Martins para uma posição sobre o abandono, porém até o fechamento desta edição a equipe não obteve resposta.

Edição: Raquel Júnia