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Artigo | Recife de volta à Série C do Brasileirão

Nenhum bicho de sete cabeças nos aguarda, mas muito jogo duro pelo norte-nordeste nas 18 rodadas da primeira fase

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Os tricolores viveram recentemente a experiência do terceiro escalão do Brasileirão, jogando a Série C por três vezes. / CoralNet

É bom se preparar: a Série C vem aí. O rebaixamento do Náutico, após dois anos batendo na trave para subir, é resultado de uma série de erros de condução do futebol e das finanças do clube, que atrasa salários sistematicamente pelo menos desde 2013, quando ainda estava na Série A. Do lado do Santa Cruz não é diferente: erros de gestão, atrasos de salários e elencos aquém das competições que disputou.

Os tricolores viveram recentemente a experiência do terceiro escalão do Campeonato Brasileiro. Jogaram a Série C por três vezes. Em 2008, após ser rebaixado da Série B, o Santa fez uma campanha fraca e caiu na segunda fase, como lanterna de um grupo com Salgueiro, Campinense e Icasa. Naquele ano a Série C era a última divisão, disputada num formato parecido com a atual Série D - divisão criada no ano seguinte, "inaugurada" pelo Santa Cruz.

Em 2012, após 3 anos na Série D, o Tricolor chegou a uma Série C mais regular, no formato que segue até hoje: dividida em dois grupos de 10 clubes por região. Os 4 primeiros de cada grupo passam ao mata-mata para decidir quem sobe. Mas o Santa ficou em 6º do grupo. Em 2013 liderou o grupo e venceu os 6 jogos do mata-mata, sagrando-se campeão brasileiro da Série C.

A história do Náutico não envolve a Série D, que ainda não existia quando o Timbu foi rebaixado. Mas o final é menos feliz que a saga do rival. Os alvirrubros passaram pela Série C apenas um ano: 1999. O Timbu fora rebaixado numa Série B que ainda funcionava em grupos e vivia um jejum de 10 anos sem títulos - o atual jejum é de 14 anos. Na Série C, liderou um grupo com times do segundo escalão do Nordeste, depois eliminou Ypiranga-AP e Sergipe no mata-mata e chegou ao quadrangular final, com Fluminense-RJ, São Raimundo-AM e Serra-ES. Mas apenas dois poderiam subir  o Náutico ficou em último.

Mas, devido ao impasse jurídico do “Caso Sandro Hiroshi”, o Brasileirão mudou completamente no ano seguinte, puxando o Fluminense (que saltou da Série C para a Série A); e a Série B, que teve 22 clubes em 1999, saltou para 36 clubes em 2000, puxando o Náutico uma divisão para cima.

Em 2018, Náutico, Santa Cruz e ABC-RN se somam ao Grupo A da Série C, com Atlético-AC, Botafogo-PB, Confiança-SE, Globo-RN, Juazeirense-BA, Remo e Salgueiro. Nenhum bicho de sete cabeças, mas muito jogo duro pelo norte-nordeste nas 18 rodadas da primeira fase. Se ficarem entre os quatro, terão que enfrentar um mata-mata contra clubes do Sul-Sudeste-Centro para conquistar a vaga na Série B.

Mas existe a possibilidade de mudança no regulamento. Uma das propostas é de que, em vez de o mata-mata decidir quem sobe, os líderes da 1ª fase passem a dois grupos quadrangulares, dentro dos quais o 1º e 2º lugares de cada grupo conquistariam as vagas na Segundona. Outra proposta, menos provável, é que o formato fique igual ao das séries A e B, com 38 rodadas.

As mudanças visam tornar o torneio comercialmente mais atraente e, assim, melhorar um pouco as finanças dos clubes que a disputam. A Série C hoje é deficitária tanto para a CBF como para a maioria dos clubes. No início deste ano presidentes dos clubes da Série C se reuniram com a CBF pedindo repasse de cotas de televisão.

Atualmente os canais TV Brasil (aberta) e Esporte Interativo (TV a cabo) transmitem a Série C. Os recursos dos poucos jogos transmitidos costumam ficar com a Confederação, que só paga parte das passagens aéreas dos times e a hospedagem. Bilheteria e patrocínio costumam ser as principais fontes de renda dos clubes, que têm folhas salariais em torno de R$ 300 mil. Os atuais elencos de Náutico e Santa Cruz têm folhas, respectivamente, de aproximadamente R$ 450 mil e R$ 650 mil. O cinto vai apertar ainda mais.

Edição: Monyse Ravena