Corrupção

Moro e o desmoronamento do Brasil

Se comprovadas as denúncias de Tacla Durán, a Lava Jato de Moro fica ainda mais desmoralizada

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

,
Advogado revela sofrer extorsão de padrinho de casamento de Moro, o advogado Carlos Zucolloto Jr. / Lula Marques

Desde que a Lava Jato foi deflagrada no país, em março de 2014, o Brasil está ladeira abaixo. Do ponto de vista político, nunca ficou tão óbvio que a democracia brasileira é um discurso raso. Quem manda mesmo é um grupo seleto, ligado a empresas internacionais, interessadas na verdade é em manter suas taxas de lucro altas.

O destaque da Lava Jato é o juiz Sérgio Moro, que andou estampado em camisetas de manifestantes que hoje parecem envergonhados. Sob o discurso anticorrupção, condenou o ex-presidente Lula sem provas. No vai-e-vem da Lava Jato, conduzida pelas delações premiadas nada espontâneas, Moro vai desmoronando. Se pensar por suas amizades, como aquela mostrada na foto sorridente ao lado do corrupto mais queimado de Minas Gerais, Aécio Neves, já era de se esperar.

O acontecimento da vez foi o depoimento à CPI da JBS de Rodrigo Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht, ocorrido no último dia 30. Acusado de participar de esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de propina na empreiteira, ele foi preso preventivamente, em novembro de 2016. Mas, por ter dupla cidadania, aguarda o processo em liberdade na Espanha.

Denúncia de corrupção contra Moro

Em seu depoimento de quase quatro horas, Tacla Durán denuncia a falácia das delações premiadas que sustentam a operação. O advogado afirmou que não fez o acordo de delação por considerar que estava sendo extorquido pelo padrinho de casamento de Moro, o advogado Carlos Zucolloto Jr. 

Segundo Tacla Durán, Zucolloto ofereceu a ele uma redução de 10 milhões de dólares na multa paga ao final do acordo mediante o pagamento de mais 5 milhões de dólares em honorários, o que, para bons entendedores, pode-se chamar de propina. E como provas, muitas mensagens de celular printadas e certificadas pela Associação Espanhola de Peritos. Zucolloto também foi sócio de Rosângela Moro, esposa do magistrado de Curitiba. O escândalo do depoimento não mereceu destaque na imprensa. Mas Rosângela fechou sua página do Facebook “EuMoroComEle”, que servia de apoio coxinha ao seu marido. 

Se comprovadas as denúncias de Tacla Durán, a Lava Jato de Moro fica ainda mais desmoralizada. Mas sem ilusões. Enquanto houver um Estado de exceção, pouco será feito para combater de fato os corruptos e corruptores. É necessária uma reforma profunda do Estado, incluindo o Judiciário, o que só será possível com a vitória de um governo popular nas eleições de 2018 e a convocação de uma Constituinte. 

Edição: Frederico Santana