Celebração

MST realiza ato político com amigos em comemoração aos 30 anos na Bahia

Ao reunir parceiros e amigos, a atividade pretende resgatar a trajetória política e de luta popular

Brasil de Fato | Salvador (BA)

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O encontro acontece entre os dias 10 a 14 de janeiro / Coletivo de Comunicação MST BA

Uma mesa de luta e resistência. Esse foi o sentimento envolvido no “Ato Político e Cultural com os Amigos do MST” realizado na manhã desta quarta-feira (10), no Centro de Treinamento da Secretaria de Desenvolvimento Rural (CTN-SDR), em Itapuã, Salvador. 

O ato abre as atividades do 30º Encontro Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Bahia, que conta com a participação de 1,5 mil trabalhadores e trabalhadoras assentados e acampados de dez regiões do estado. 

Diversos movimentos populares, organizações sindicais, partidos de esquerda e figuras históricas que contribuem de maneira direta ou indireta na luta do Movimento, marcaram presença no ato, que teve como objetivo ser mais um espaço de comemoração dos 30 anos de luta na Bahia.

Ao reunir tantos parceiros e amigos, a atividade resgatou a trajetória política construída desde o dia 07 de setembro de 1984, data que ocorreu a primeira ocupação de terra e que consolidou o primeiro processo organizativo no estado: o Assentamento 40 45, em Alcobaça.

Nesse sentido, Lídice da Mata, senadora pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), afirmou que o MST tem dado um novo tom a história da luta pela terra no Brasil, abarcando em sua estrutura organizativa pautas importantes e de caráter popular, como a luta por alimentação saudável, contra o patriarcado, o racismo e o uso de agrotóxico, por exemplo. 

“O MST apresenta um projeto político para o campo e nos ensina como usar a terra. Isso é extremamente importante e faz do Movimento uma organização profundamente revolucionária”, pontuou a senadora. 

Por outro lado, Elen Rebeca, do Levante Popular da Juventude, ao contextualizar o papel político que o MST possui no atual momento destacou que a juventude do Brasil aprendeu com o significado da resistência e da luta popular através dos enfrentamentos que o Movimento tem construído historicamente. “Nossa tarefa é não perder o horizonte estratégico que a esquerda tem consolidado no último período e 2018 já aponta isso”, explicou. 

Ocupar, resistir e produzir

Com base na história e nas reflexões que o MST tem consolidado, a partir da ocupação dos latifúndios, da resistência popular e da produção agroecológica, o atual secretário de desenvolvimento econômico da Bahia, Jaques Wagner, destacou que, neste ano, as lutas precisam ser contra os retrocessos, os preconceitos e por Lula. 

Para ele, o Movimento Sem Terra tem ensinado que apenas com ocupação e resistência é possível conquistar o pão e a dignidade. “Com esses ensinamentos mudaremos a realidade do país”, enfatizou.

Sobre os desafios e perspectivas, Leomarcio Araújo, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), ressaltou o nome do Lula como uma base importante para garantir direitos e romper com a retirada de direitos implementas pelo governo ilegítimo de Michel Temer, do PMDB, e para isso é necessário construir uma ofensiva. “Precisamos sair da condição de resistência e avançar na ofensiva. Isso só será possível com Lula 2018”.

O 30º Encontro Estadual do MST na Bahia, que começou na manhã desta quarta-feira (10) segue até domingo (14), com uma programação diversa, mística e estudo sobre temas como a atual conjuntura brasileira, comunicação, organicidade interna, cultura, gênero e educação do campo. Confira a programação aqui.

Edição: Elen Carvalho