DISCRIMINAÇÃO

Frente Ampla Suprapartidária e Trans de Esquerda é lançada no Rio de Janeiro

Articulação e vem com o objetivo de incentivar o debate e a participação de pessoas trans na política partidária

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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De acordo com o levantamento realizado pela ONG Transgender Europe, entre 2008 e 2016 foram assassinadas 868 pessoas trans no Brasil. / Foto: reprodução

O Dia Nacional da Visibilidade Trans foi consagrado como sendo 29 de janeiro. A data foi criada em 2004, quando ativistas participaram da primeira campanha contra a transfobia do país. De lá para cá, houve conquistas, como o uso do nome social nos registros escolares, em órgãos da administração pública federal e a implementação de algumas políticas públicas que auxiliam a inserção no mercado de trabalho. Porém, os avanços ainda não foram significativos a ponto de combater a violência e a discriminação contra o grupo social.

De acordo com o levantamento realizado pela organização civil europeia Transgender Europe, entre 2008 e 2016 foram assassinadas 868 pessoas trans no Brasil. O dado alarmante coloca o país como o que mais mata transexuais no mundo. Jaqueline Gomes de Jesus é professora de psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e uma das autoras do livro “Feminicídio #InvisibilidadeMata”, organizado pelo Instituto Patrícia Galvão. Com relação ao levantamento da ONG, a pesquisadora complementa que a maioria das vítimas são mulheres trans. Para ela, o assassinato é o reflexo de uma morte simbólica e ideológica que cotidianamente atinge os transexuais no Brasil.

“ Muitas são expulsas da escola, do acesso ao trabalho mesmo com a qualificação, muitas vezes  não conseguem um trabalho por conta da sua identidade de gênero, da transfobia. E ai o único lugar das mulheres trans, das travestis é a prostituição, não é a toa que mais de 90 por cento delas estejam na prostituição, que outro grupo social, mais de 90 por cento só encontra trabalho na prostituição? Isso é um sintoma de todo o contexto que junta várias coisas:  a vulnerabilidade das profissionais do sexo no Brasil que não tem a regulamentação,  junto com a transfobia geram esses dados de violência e  de se  achar natural que se mate, violente, ridicularize, se considere menos humana, menos homem ou mulher do que outras pessoas”,  afirma.

No Rio de Janeiro, uma série de atividades envolvendo debates, exibição de filmes e oficinas ocorreu no mês de janeiro para tratar da construção de mecanismos que garantam uma maior visibilidade da população trans. Jaqueline esteve envolvida na elaboração das iniciativas e destacou o lançamento da Frente Ampla Suprapartidária e Trans de Esquerda como sendo um dos principais pontos. A Frente vem com o objetivo de incentivar o debate e a participação de pessoas trans na política partidária.

 “Essa mobilização eu entendo como feminista que está junto, vem com a mobilização de mais mulheres na política e é fundamental ter essa representatividade maior de população negra e trans, de todas as minorias, de grupos sociais historicamente discriminados, na política partidária. 08:00 É fundamental que sejamos representadas, no entanto, mais do que isso, é mostrar  que nós também podemos representar a população em geral, que podemos fazer a pauta de todas as pessoas independentemente de gênero, idade, raça e classe social”, conclui. 



Esta é a primeira vez que uma iniciativa de unidade entre pessoas trans se consolida Brasil. Dentre os objetivos da Frente estão: a defesa da causa das pessoas trans; o enfrentamento à transfobia e à LGBTfobia; a garantia da visibilidade de pessoas trans nos debates políticos; a luta por espaços institucionais dentro da atual democracia para que as vozes e demandas de travestis e transexuais sejam ouvidas, respeitadas e efetivadas pela sociedade.

 

Edição: Raquel Júnia