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Manifestações contra reforma da Previdência tomam conta da capital e interior do Rio

Atos tiveram início na noite de domingo (18), quando os petroleiros da região Norte Fluminense iniciaram greve

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Dezenas de pessoas estiveram no aeroporto Santos Dumont para manifestar aos deputados estaduais do Rio que a população é contra a reforma / CTB/RJ

Assim como em todo o país, na capital e no interior do estado do Rio de Janeiro, a segunda-feira (19) teve diversas manifestações contra a reforma da Previdência proposta por Michel Temer (MDB). As manifestações no estado tiveram início na noite de domingo (18), quando os petroleiros da região Norte Fluminense iniciaram uma greve, com duração de 48 horas. Trabalhadores de cerca de 33 plataformas, das 45 que formam a Bacia de Campos, aderiram à greve.

Para marcar o início da paralisação, os trabalhadores realizaram um ato no Terminal de Cabiúnas, localizado em Macaé, um terminal estratégico que concentra grande parte do gás que é distribuído na região Sudeste. Durante a manifestação, que aconteceu na manhã desta segunda-feira (19), centenas de pessoas estiveram reunidas para impossibilitar o seu funcionamento.

“Nós, trabalhadores e trabalhadoras, temos clareza de que se não tivermos a frente da luta, ninguém vai assumir essa responsabilidade pela gente. Estamos na luta e vamos fazer o enfrentamento necessário contra desmonte dos nossos direitos, principalmente, contra a reforma da Previdência e desmonte da Petrobrás”, afirma Tezeu Bezerra, coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF). 

Na capital, outra manifestação significativa aconteceu em frente ao aeroporto Santo Dumont, no centro da cidade. No ato, dezenas de pessoas estiveram presentes para manifestar aos deputados federais do Rio, que estavam embarcando para Brasília, que a população carioca é contra a reforma da Previdência. Antes de começar o ato, os portões do aeroporto tiveram a entrada bloqueada com grades pela segurança, o que fez com que a movimentação acontecesse do lado de fora do terminal.

“Os parlamentares que passaram foram contactados. Alguns em dúvida, outros decidiram não votar com Temer, mas têm aqueles que ainda insistem em retirar direitos dos trabalhadores. Eles não conseguem explicar aos seus eleitores porque vão fazer isso mais uma vez, já que votaram pela reforma trabalhista. Reforma da Previdência ainda é ainda mais violenta” acrescenta Paulinho Farias, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-RJ)

Os profissionais da educação do estado do Rio também se somaram às manifestações ao realizar uma paralisação de 24 horas, inaugurada com um ato em frente a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na tarde desta segunda-feira (19). “A rede de educação é uma das maiores do Rio, no momento que viemos em massa, estamos mostrando para o governo o descontentamento. Precisamos saber se vai continuar esse absurdo”, afirma a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe), Dorotéa Santana. 

No interior do estado, trabalhadores rurais do município de Casimiro de Abreu, na região dos Lagos, realizaram o fechamento de uma das maiores rodovias do país, a BR 101, na altura do quilômetro 208. Nas faixas que carregavam durante o ato, eles diziam que a única reforma que tem que passar pelo congresso é a reforma Agrária.

Os bancários também participaram das mobilizações. Agências de Macaé e Campos, no Norte do estado, Teresópolis, na região serrana, Angra dos Reis, na Costa Verde, e no Centro da capital realizaram paralisações de meio turno. Para a presidente do Sindicato dos Bancários Rio, Adriana Nalesso, os trabalhadores têm condições de barrar a Reforma.

“O governo ainda não tem os votos necessários. Por isso, inclusive, está usando a estratégia de desvio de atenção do tema com a intervenção militar no Rio de Janeiro. Nós temos condições de pressionar os congressistas em ano de eleição. Nossa categoria tem consciência disso e está mobilizada. No que depender dos bancários a reforma da Previdência está enterrada”, conclui.

Edição: Raquel Junia