Televisão

Coluna | De olho no jornalismo da Globo

"Um Brasil com uma imprensa mais democrática e que respeite o seu povo, é o que quero para o nosso futuro"

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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"Após mais de 40 minutos dedicados à Marielle, Fantástico noticiou que Temer ia aumentar recursos da intervenção militar" / Reprodução de vídeo

“Que Brasil você quer para o futuro? ”. Essa é a pergunta feita pela campanha da TV Globo que exibe vídeos em todos os telejornais da emissora, desde o início de 2018 com as respostas dos telespectadores sobre o que querem para o país. Especulações não faltam sobre quais são as intenções da Globo com tal campanha.

Há tempos, a emissora vem percebendo a queda na audiência dos seus telejornais e mais do que isso, a identificação pelo público da parcialidade - para dizer o mínimo – da sua cobertura jornalística. A imagem do jornalismo da TV Globo não está nada boa. E claro, motivos não faltam para isso! É possível que tal campanha busque melhorar a imagem da emissora, resgatar uma tal credibilidade que um dia já teve… os anunciantes também estão de olho nisso!

E seria coincidência, essa proposta surgir meses antes da campanha eleitoral? Seria uma tentativa da Globo de pautar as eleições de 2018?

Chamou bastante atenção o destaque dado à morte da vereadora Marielle Franco pelo Fantástico. Nas redes sociais surgiram comentários sobre a forma como a morte da vereadora foi mostrada. Em entrevistas com a companheira de Marielle, Mônica Benício, sua mãe e irmã e com a esposa do motorista Anderson, também morto, não faltaram apelos às emoções. Nada mais justo, para o momento.

No entanto, a forma radical como Marielle vivia sua vida de ativista e suas pautas foram escondidas sob o termo “defensora dos direitos humanos”. Importante notar que, após mais de 40 minutos dedicados à Marielle, o Fantástico noticiou a morte horrível de um bebê numa favela carioca seguido de reportagem que informava que o presidente se reuniu com ministros em busca de mais recursos para a intervenção militar para conter a violência no Rio. No mesmo instante, houveram várias postagens nas redes sociais de recadinhos para o programa: “Marielle era CONTRA a intervenção no RJ”.

Um abraço!

*Felipe Marcelino é professor de filosofia.

Edição: Joana Tavares