Coluna

Pensam os golpistas que meus neurônios são idiotas

Imagem de perfil do Colunista
23 de Abril de 2018 às 15:44
Filmagem das instalações do triplex do Guarujá, feita pelo MTST / Reprodução de vídeo
Se aquilo ali for o tal triplex, eu prefiro meu barraco na minha comunidade

Passado alguns dias desde que assisti ao vídeo que o pessoal do MTST divulgou do “triplex” do edifício Solaris na Praia das Astúrias, é que consegui escrever algo sobre o mesmo e o absurdo que é esse processo que condenou o presidente Lula. Confesso que fiquei estarrecida em ver aquilo, um “muquifo” danado, uma coisa feia, mal acabada, que serviu de pretexto para a (IN) “justiça” brasileira condenar o mais popular e querido presidente de nosso país, a maior liderança política dos últimos tempos, a pessoa que mais deu trabalho pra esta famigerada elite brasileira e que transformou a cara de nosso país. Lula, apesar de todo achincalhamento que vem sofrendo, continua sendo o mais amado e idolatrado líder político de nosso país.

O que vi no vídeo me deixou assim meio esquisita, abismada, até mesmo sorumbática. O tal triplex que “custou”, segundo o juiz Sérgio Moro, cerca de R$2,2 milhões em propinas, pagos pela OAS, através da entrega e de sua reforma e que acabou por produzir em suas mentes a tal “convicção” de culpa do presidente Lula, é algo surreal. Minha gente, eu nunca entrei num triplex e imaginava que era algo assim, bonito de se ver e confortável pra viver, mas se aquilo ali for o tal triplex, eu prefiro meu barraco na minha comunidade. É mais arejado, mais colorido, todo mais bonito e bem mais aconchegante do que aquilo a que chamam triplex do Lula. Meu barraco em relação ao triplex mostrado é tudo de bom, meu pedacinho de céu.

E confesso que se fosse verdade essa história do presidente Lula ter se sucumbido à corrupção a tal ponto de se sujar, manchar sua reputação e história por um triplex tão ruinzinho como aquele, eu ficaria extremamente decepcionada com ele. Imagine ele, meu ícone se sujar, manchar sua reputação por aquele muquifo, eu diria a ele: “Lula, tenha misericórdia dos meus sonhos, dos meus ideais de dignidade e cidadania”.  Mas, sou uma mulher de luta e acredito que Lula jamais chegaria a isso. É muito pouco pra quem é tão grande!!!

A mente doentia dos justiceiros de plantão é muito sórdida. Juro que nesses meus 54 anos de vida eu pensava ter visto muita coisa, mas, descobri que não, eu ainda não havia visto algo tão perverso e cruel protagonizado pela que chamamos de “justiça”.  Fiquei como milhões de brasileiros e brasileiras boquiabertos com o que é capaz de fazer o ódio e a inveja.

Mas, o pior mesmo é a sensação de terem sido feitos de palhaços, que acredito estejam sentindo os que acreditaram nisso tudo. Eu não me senti uma palhaça, tão palhaça assim não, pois, nunca acreditei nesta farsa montada pela “justiça”. Ainda bem, do contrário, acho que hoje ia querer enfiar minha cabeça em algum buraco, onde pudesse esconder-me da vergonha de ter sido tão escancaradamente enganada. Pelo menos, assim espero estejam sentindo os que condenaram sem provas, mas através da “convicção” alheia o presidente Lula.

Pessoas que acreditaram que uma das maiores inteligências de nosso país ia se destruir por um apartamento triplex, que, pra mim, não passa de um muquifo, um lugar muito feio. Já vi nas vilas e favelas de meu país apartamentos muito mais bonitos e criativos. Sendo muitos desses, inclusive, sido construídos e aprimorados nos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, que facilitaram a vida dos pobres permitindo o direito aos seus puxadinhos. Minha gente quis brincar com nossa inteligência, acusaram nossos neurônios de idiotas. Eu jamais teria o orgulho que sinto hoje do nosso presidente Lula, se o motivo pelo qual o condenaram fosse real.

Machuca-me, e muito, a inteligência rasa de algumas pessoas que, mesmo depois de verem o muquifo que é o triplex do Edifício Solaris, na Praia das Astúrias, que não está no nome do presidente Lula nem de nenhum de seus parentes, ainda acreditam que ali foram feitas reformas que incluem a colocação de um elevador, de móveis de cozinha planejados, de mobiliários, de churrasqueira e área de serviço, visando atender a família de Lula. E que isso basta para uma condenação. Ou estas pessoas piraram ou eu pirei.  Estou falando dos cidadãos, aqueles que se dizem do bem, que acham que a “Justiça” brasileira é de fato a “Justiça”. Pessoas que não se deram conta que foram enredadas no mito da “convicção” alheia. Aquela que diz que não temos provas, mas temos a convicção.

E aí vem a parte mais podre ainda desse processo, o papel do judiciário de (IN) justiça, quando faz a anexação no processo de Notas Fiscais que atestam o que não existe fisicamente. E Notas Fiscais de empresas sediadas em Curitiba, que “forneceram” materiais e equipamentos pra uma reforma a ser realizada no interior de São Paulo.  Isso é o que, senão um crime perpetrado por quem tem a tarefa de condenar o crime? 

Mas, a verdade é que estamos vivendo um golpe judiciário, midiático patrocinado pela elite de nosso país, que rola de inveja ao ver que um operário sem diploma, a não ser o de Presidente da República do Brasil, conseguiu fazer o que eles, em 503 anos de poder nesse país, não fizeram. E não fizeram porque não quiseram, porque manter a indústria da fome, da sede, da miséria é tudo de bom para eles que adoram oprimir, massacrar e depois sentarem em suas ricas mesas e comer caviar.

Lula conseguiu o que nenhum dos doutores que o antecederam conseguiu, ele transformou a realidade brasileira. Nunca mais vimos as cenas de miséria patrocinada pela indústria da fome, estampadas na televisão, com cenas de uma gente marcada pela dor, pela sede e pela fome cozinhando ratos, pedras e folhas silvestres para alimentar seus filhos; ou bebendo água barrenta retirada dos poços do fundo do quintal. Nunca mais vimos dados estarrecedores da mortalidade infantil. Foi isso, exatamente a falta dessas macabras cenas que incomodou a elite.

Com Lula, as pessoas passaram a alimentar, a estudar, a ter uma vida mais digna. Só que esta mudança incomoda, pois a consciência das pessoas se transformam quando estão se sentindo dignas. Daí a condenação por “convicção”. Mas, pra mim, a “convicção” de fato, dos que mentiram, falsificaram e condenaram Lula, é a de que, esta gente pobre, simples não merece viver com dignidade. Não querem esses senhores e senhoras que nós vejamos nossos filhos e filhas junto aos deles e às vezes até melhores em desempenho que os filhos deles, isso porque a Casa Grande surta quando a senzala aprende a ler.

E com Lula, com certeza, haverá muitas senzalas ainda a se alfabetizarem, a produzirem seus doutores, a formarem sua gente dando-lhes a consciência de que somos todos e todas sujeitos de nossa história. Por isso, Lula está preso, mas não sabe essa gente mesquinha, que há em nosso país, hoje, uma franca produção de Lulas que pensam, sonham, andam, cantam e encantam e que vão à luta. A prisão de Lula é muito pouco pra quem se tornou um mito.

Edição: Joana Tavares