Direito

Desaldeados comemoram Dia do Índio em Uberlândia (MG)

Entre as principais reivindicações dos indígenas sem aldeia está a criação de reserva

Brasil de Fato | Uberlândia (MG)

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Evento foi composto por indígenas que foram forçados a emigrar de suas comunidades de origem / José Renato Resende

A comunidade dos índios desaldeados de Uberlândia e região comemorou, no dia 19 de abril, o dia do índio, com confraternização e rodas de conversa.

O evento foi promovido pelo Movimento dos Indígenas não Aldeados do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (MInA), composto por aqueles indígenas que foram forçados a emigrar de suas comunidades de origem. 

Entre as principais reivindicações do MInA está a demarcação de uma reserva na região do Triângulo, onde os índios possam construir uma “casa de rezas” e um centro de cultura e educação indígenas, além de aproveitar a terra para o cultivo. 

Além disso, lutam pelo direito ao reconhecimento. A maioria dos desaldeados não tem o documento emitido pelo governo que “comprova” a identidade étnica, o Registro Administração de Nascimento Indígena (RANI), que é restrito àqueles que nasceram e cresceram em aldeias. Os desaldeados também não têm, na certidão de nascimento ou na identidade, o reconhecimento de sua origem étnica. Assim, não podem concorrer, por exemplo, a cotas nos vestibulares, que costumam exigir o registro oficial.

Mulheres à frente

Embora as funções de cacique e pajé sejam, tradicionalmente, ocupadas por homens, não é o que ocorre em Uberlândia. 

O MinA tem como líder a Cacique Maria de Lourdes Tupinambá, que, desde 2017, está à frente da associação. Ela sucedeu a outra cacique, Kaun Poti, que fundou o movimento e o liderou por mais de dez anos. A pajé, por sua vez, é Maria Cândida Tupinambá, responsável por conduzir as orações e cultivar as ervas utilizadas nos rituais. 

 

Edição: Joana Tavares