CINEMA

Quem foi Roberto Farias, diretor de filmes que ousaram retratar a ditadura militar

Cineasta dirigiu “Pra Frente, Brasil”, um dos primeiros filmes a retratar a ditadura militar no país

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Roberto Farias morreu na última segunda-feira (14), aos 86 anos. Ele estava internado para tratamento contra um câncer / Ana Paula Migliari/TV Brasil

Diretor de “Pra Frente, Brasil”, um dos primeiros filmes a retratar a ditadura militar no país, o cineasta e produtor Roberto Farias morreu na última segunda-feira (14), aos 86 anos. Ele estava internado para tratamento contra um câncer.

Lançado em 1982, “Pra Frente, Brasil” abordou um país vibrante com a Seleção Brasileira, na Copa do Mundo de 1970, no México, mas que também sangrava com civis sendo torturados e mortos por agentes da repressão oficial.

Presidente da Embrafilme na época, o diplomata Celso Amorim, que foi também ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores nos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff, foi demitido do cargo por liberar verba para o filme, que denunciava a tortura.

Roberto Farias também foi realizador do clássico “Assalto ao Trem Pagador” (1962). O cineasta, que começou a carreira no início dos anos 1950 como assistente de direção da Atlântida, dirigiu “Rico ri à toa” (1957), “No mundo da lua” (1958) e “Toda donzela tem um pai que é uma fera” (1966).

Também nos anos 1960, colaborou na fundação da Difilm, distribuidora do Cinema Novo, ao lado do produtor Luiz Carlos Barreto.

O cineasta dirigiu ainda inúmeros sucessos de público como “Os paqueras” (1968), “Roberto Carlos e o diamante cor de rosa” (1968) e “Roberto Carlos a 300 quilômetros por hora” (1971). Foi responsável também pelo sucesso “Os trapalhões e o auto da Compadecida” (1987). 

Na TV, dirigiu minisséries como “As Noivas de Copacabana” e “Memorial de Maria Moura”.

Edição: Eduardo Miranda