Teatro

Produção de monólogos cresce em BH e ganha espaço exclusivo no Galpão Cine Horto

Desafiar seu próprio talento e dificuldades de patrocínio levam artistas a apostarem na experiência de estar só em cena

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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"A mulher que andava em círculos" estreia a nova sala do Galpão Cine Horto / Divulgação

Com a proposta de estimular a produção de monólogos – espetáculos com apenas uma pessoa em cena -  em Belo Horizonte, foi lançada, na última quinta-feira (17), a Sala Solo do Galpão Cine Horto. 

O espaço foi inaugurado com a estreia de “Ciclos”, do Grupo Teatro Invertido, com atuação de Rita Maia sob a direção de Juliana Pautilla, sobre uma mulher que quer ser mãe aos 44 anos. A atriz conta que também foi sua estreia em um monólogo:  “É a primeira vez que eu me arrisco e acho muito importante fazer essa experiência de estar sozinha em cena. Um ator precisa conseguir segurar um espetáculo dessa forma”, defende.

De acordo com a atriz, Belo Horizonte tem cultura dos grupos e coletivos de teatro, mas os monólogos estão surgindo como uma potência: “Quando vamos para um monólogo a tendência é ir no interior do seu universo, mesmo que você crie uma ficção, mas é preciso que você tenha muita propriedade sobre o que está falando”, explica.

Em junho, o espaço recebe outras duas montagens: “A Mulher que Andava em Círculos”, do Grupo Mayombe, que retrata a memória do teatro na América Latina através das questões políticas, afetivas e existenciais da protagonista; e “Um Anjo Passando Aqui”, concebida e interpretada por Lenine Martins, uma narrativa de amor, seus encontros e desencontros.

Estímulo

Para incentivar a produção de monólogos, o Cine Horto oferece, nos dias 26 e 27 de maio, a oficina “Dirigindo Monólogos”, com o diretor carioca Daniel Herz. Com 20 vagas, o curso recebe inscrições para ouvintes ou participantes. “Nos últimos anos, muitos atores e atrizes viram no monólogo a oportunidade de chegar ao espectador, diante de várias limitações que nos têm sido impostas”, conta Chico Pelúcio, coordenador do Galpão Cine Horto.

Segundo o coordenador, uma das limitações vem da crise de financiamento e patrocínios para as montagens, além da dificuldade de circulação de grupos e espetáculos de maior porte. O monólogo pode percorrer com mais facilidade as cidades carentes de casas de espetáculo.

Um outro aspecto do crescimento dos monólogos é a busca e criação dos próprios atores em cena.  “A urgência desses atores e atrizes de pesquisarem e falarem de temas próprios de sua existência artística” , aponta Pelúcio.

Monólogos em cartaz no Cine Horto

CICLOS

17 de maio a 3 de junho

Qui a Sáb - 19h Dom - 18h (em 31/05, feriado, não haverá espetáculo)

A MULHER QUE ANDAVA EM CÍRCULOS

8 a 10 de junho - 20h

UM ANJO PASSANDO AQUI

14 a 24 de junho

Qui a Sáb - 19h Dom - 18h

Preço: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15 (meia)

Edição: Joana Tavares