REGAP

Privatização ameaça refinaria em Minas Gerais

Venda de quatro refinarias no Sul e no Nordeste colocam em risco um terço da capacidade de refino do país

Especial para o Brasil de Fato

,
Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim (MG) / Geraldo Falcão/Agência Petrobras

Minas Gerais abriga quatro unidades da Petrobras, sendo a maior delas a Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A planta completou 50 anos em 2018 e tem capacidade de processamento de 150 mil barris de petróleo por dia. Entre seus principais produtos estão a gasolina, diesel, combustível marítimo, querosene de aviação, gás de cozinha, asfaltos, coque verde de petróleo, óleo combustível, enxofre e aguarrás. Atualmente, a Regap atende grande parte do mercado de combustíveis em Minas e também parte do Espírito Santo e Goiás.

A venda da Regap chegou a ser cogitada pela Petrobras no ano passado e ainda pode ser uma das próximas na lista de privatizações. Recentemente, a companhia anunciou a venda de parte de quatro refinarias nas regiões Sul e Nordeste do Brasil - colocando em risco cerca de 1/3 da capacidade de refino do país.

“A privatização do refino reforça a tese de que a Petrobras está no centro do golpe de 2016 e, desde o início do governo Michel Temer, a direção da empresa tem adotado uma política deliberada de aumento dos preços dos combustíveis”, segundo Alexandre Finamori, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Entre abril do ano passado e abril deste ano, a gasolina subiu 21,2%, o diesel S10 15% e o gás de cozinha 12,7% em Minas.  Agora, com a venda de refinarias, a decisão sobre o preço do gás de cozinha, diesel e gasolina não passará sequer pelo governo, atendendo apenas aos interesses das multinacionais do petróleo em operação no País.

Privatização da Petrobras também ameaça meio ambiente

A Petrobras Biocombustíveis (PBio) é a principal empresa brasileira do setor e chegou a capacidade de produzir anualmente 846 milhões de litros de biodiesel nas usinas do Ceará (Quixadá), Minas Gerais (Montes Claros) e Bahia (Candeias).

Apesar de afirmar em seu Relatório de Sustentabilidade que os investimentos em tecnologias de baixo carbono (eólica, biomassa, biocombustíveis etc) são prioridade entre os projetos da Petrobras, a atual gestão da companhia decidiu deixar de atuar no setor de biocombustíveis, em uma decisão política que vai na direção contrária dos interesses nacionais.

“A privatização da Petrobras afasta a companhia de seu papel de empresa pública, comprometida com o desenvolvimento e a soberania do País. O setor de biocombustíveis - que já foi considerado uma das prioridades da estatal - está sendo deixado de lado pela atual gestão. Isso impacta a vida de toda a população que vive nos arredores das usinas, assim como o meio ambiente”, segundo Anselmo Braga, coordenador do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG).

Impactos

A busca por novas fontes de energia renovável é uma tendência mundial para a sustentabilidade ambiental do planeta. O Brasil, devido a suas características territoriais e climáticas, é um País com grande potencial de produção e exportação de biocombustíveis. Com a saída da Petrobrás do setor, quem perde é a própria nação.

As regiões onde as usinas da PBio estão instaladas também sofrem grandes impactos econômicos, principalmente os pequenos agricultores. É o caso da Usina de Quixadá, no Ceará, fechada em 2016. A unidade produzia 108,6 milhões de litros de biodiesel por ano e seu fechamento impactou cerca de 9 mil famílias, e deixou de gerar quase mil empregos. Em Minas Gerais, a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro, localizada em Montes Claros, tem grande importância econômica para a região, mas também está ameaçada.

Edição: Joana Tavares