Exposição

Um mergulho no Grande Sertão

Evento realizado em BH é oportunidade para quem ainda não conhece o livro de Guimarães Rosa ou nunca visitou a região

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

,

Ouça a matéria:

Estrada para o Liso, na divisa de Minas com Bahia / Makely Ka

O sertão é um mundo, como diria Guimarães Rosa. Um mundo ainda pouco conhecido pelos próprios mineiros, apesar de “Grande Sertão: Veredas” ter sido uma obra literária que atravessou fronteiras. Como forma de divulgar as gerais, esse lugar – que também é modo de vida – localizado no norte e noroeste de Minas, sudoeste da Bahia e leste de Goiás, acontece a exposição “Imersão Grande Sertão”, em Belo Horizonte, entre os dias 19 e 24 de junho, no Sesc Palladium. 

Para o compositor Makely Ka, a exposição é uma oportunidade para quem vive em Belo Horizonte e ainda não conhece o livro ou que nunca visitou essa região do estado. “É uma das regiões de Minas mais conhecidas no mundo todo, graças à obra do Guimarães Rosa. No entanto, é pouco conhecida, inclusive porque as estradas são precárias. [O Grande Sertão] remete a uma ideia muito antiga do que é o interior do país”, ressalta.

A programação – recheada com espetáculos musicais, projeções de vídeo e fotografia, debates e palestras – é inaugurada com um típico café do sertão. Doces, geleias, óleos, licores, sucos, pães, bolos e biscoitos, todos elaborados por cooperativas de produtores agroextrativistas do cerrado, poderão ser degustados pelo público. No domingo (24), o evento é encerrado com o show Cavalo Motor, de Makely Ka e banda.

“Trazer a temática do sertão possibilita pensar as dimensões da cultura, de terra, território, espirituais, de amor, de afeto. Possibilita pensar o sertão de forma múltipla”, conta Damiana Campos, do Instituto Cultural e Ambiental Rosa e Sertão, que é uma das convidadas da exposição. Além de Damiana, confirmaram presença outros moradores do cenário do Grande Sertão, como o compositor e ensaísta José Miguel Wisnik, o violeiro Paulo Freire e a benzedeira Lindaura, conhecida como dona Lili. 

Resistência

O Cerrado é um dos biomas que mais foram destruídos na história do Brasil. Apesar da diversidade religiosa, artística e cultural, além da rica biodiversidade, a região historicamente é ameaçada pela expansão do agronegócio, das fronteiras agrícolas de soja, eucalipto, cana, além das pequenas hidrelétricas construídas nos afluentes da margem esquerda do rio São Francisco. “A gente corre o risco, daqui a uns anos, de perder uma grande parte dessa cultura, desse bioma”, teme Makely.

No entanto, para Damiana, é fundamental pensar o Grande Sertão a partir das experiências das pessoas que vivem e são da região, e que constroem coletivamente uma realidade de resistência. “Falar no Grande Sertão: Veredas hoje é falar das pessoas com suas invisibilidades. Mas também é falar das pessoas com suas potências, como as cooperativas, organizações comunitárias, pontos de cultura. Como os pescadores e pescadoras, quebradeiras de coco e as ‘Diadorinas’ que nascem e se colocam como mulheres em espaços machistas e opressores”.

Onde

Sesc Palladium,

Av. Augusto de Lima, 420

Quando

19 a 24 de junho de 2018

Mais informações aqui.

Edição: Joana Tavares