FESTA

EDITORIAL | São João é tempo de colheita

No Nordeste, é tempo de fogueira, quadrilha, forró e milho

Brasil de Fato | Recife (PE)

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No Nordeste, é tempo de fogueira, quadrilha, forró e milho. Tempo de fartura de alimentos, tradição e alegria no coração do povo. / Divulgação

Na tradição católica o mês de junho celebra a festa de três santos: Santo Antônio (12), São João (24) e São Pedro (29). No Nordeste, é tempo de fogueira, quadrilha, forró e milho. Tempo de fartura de alimentos, tradição e alegria no coração do povo. Tempo de agradecer a chuva que molha a terra e “esfria” o clima, de quatro em quatro anos, época de torcer pelo Brasil em campo.

O São João é uma festa, essencialmente, do povo brasileiro, sobretudo o nordestino. Festa em que celebramos a cultura camponesa que, de mais longe ou mais perto, permeia as vidas daqueles que vivem nessa região do Brasil. Em várias comunidades rurais, junho também é o mês em que se celebra a “Festa da Colheita”, tempo de agradecer e, sobretudo, confraternizar, dividir o que se cultivou com a família, os vizinhos e os amigos e amigas mais próximos.

Em tempos de ameaças constantes ao Brasil e ao povo brasileiro, na semana em que o chamado “PL do veneno” foi aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, e agora segue para votação no plenário, é imperativo que os camponeses e camponesas celebrem a fartura e os frutos de suas sementes. O referido projeto de lei pretende alterar a legislação brasileira sobre os agrotóxicos, reconhecida como uma das piores do mundo no tema. Uma das medidas mais polêmicas diz respeito à mudança no uso do termo agrotóxico para produto fitossanitário ou pesticida, além da permissão do registro de novos produtos (venenos), regras de fiscalização e de consumo.

Há dez anos o nosso país é considerado oficialmente o maior mercado de agrotóxicos do planeta. Os números desse mercado são altos: cerca de 13 bilhões por ano. Os agrotóxicos impactam tanto a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras que os manuseiam diretamente, como do consumidor final dos alimentos, além do impacto ambiental na terra e nas águas.

Outra medida quem vem sendo amplamente questionada no PL é a mudança na avaliação dos agrotóxicos que poderão ser importados pelo Brasil, dos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura, historicamente controlado pelo agronegócio.

Na contramão de grande parte dos legisladores brasileiros, estão os povos e comunidades camponesas que criam no dia a dia a resistência viva, através da agroecologia. Em junho lembramos do milho crioulo produzido e comercializado em várias partes do Brasil por movimentos camponeses.

É preciso que estas deixem de ser apenas experiências e passem a fazer parte de um modelo hegemônico de produção de alimentos agroeocológicos. Que as sementes, de todos os tipos, sejam livres de agrotóxicos e deem origem aos frutos que alimentarão a nação brasileira.

Como já dissemos em outro editorial, o São João é tempo de olhar para o céu e ver coisas lindas, assim como de celebrar a colheita de alimentos e sonhos.

Edição: Monyse Ravenna