UTOPIA

Ato político marca início do 2º Festival Internacional da Utopia, em Maricá (RJ)

Políticos e lideranças destacaram a importância do festival diante do avanço conservador no país

Brasil de Fato | Maricá (RJ)

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Prefeito de Maricá, Fabiano Horta, discursa em ato político durante a abertura do II Festival Internacional da Utopia, em Maricá (RJ) / Júlia Dolce

A segunda edição do Festival Internacional da Utopia, em Maricá, no Rio de Janeiro, teve início nesta quinta-feira (19), com um ato político. O evento reuniu centenas de pessoas na Tenda dos Pensadores Darcy Ribeiro, erguida na Praça Orlando de Barros Pimentel, no centro da cidade, e contou com a presença do prefeito da cidade, Fabiano Horta (PT), e de outros parlamentares e lideranças políticas.

O Festival é organizado pela Prefeitura Municipal de Maricá e tem como objetivo promover um espaço de debate, troca de experiências e construção de propostas voltadas para o desenvolvimento social e a economia criativa. Em sua fala inicial, o prefeito da cidade destacou a necessidade do evento na atual conjuntura política do país.

“Temos absoluta consciência dos tempos difíceis em que o país vive, onde a natureza do ódio emerge como virtude. Esse festival faz emergir outras energias. Precisamos debater, abrir o diálogo e lançar luz para combater o fascismo que tem crescido no país. Para nós, investir nesse festival não tem preço, é imensurável. Nesses próximos dias, vamos discutir o valor da liberdade aqui em Maricá. O Brasil vive um tempo onde a liberdade virou segunda categoria, e precisamos discutir isso”, afirmou, sendo aclamado pelo público.

O Secretário de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher João Carlos de Lima, conhecido Birigú, também participou da mesa de abertura. Em sua fala, ele destacou, para além do Festival da Utopia, a importância de outras políticas públicas de Maricá, como a implantação da moeda social Mumbuca, criada em 2013 no mandato do ex-prefeito Washington Quaquá (PT), com o objetivo de alimentar a economia local. Ainda citou a criação de uma empresa pública de transporte que possibilita a tarifa zero, por meio do ônibus “vermelhinho”.

“Maricá vem se consolidando como uma liderança econômica no país, em função dos royalties do pré-sal, e nosso prefeito vem reforçando o compromisso de governar para quem mais precisa”, disse.

A vereadora Andréa Cunha (PcdoB), que também compôs a mesa de abertura do Festival da Utopia, destacou a importância da ideologia de esquerda para a conquista das políticas públicas da cidade e para a construção do próprio festival.

“O Utopia é a certeza de que Maricá caminha sobre conceitos seguros de valores e a esperança de que é possível caminhar para uma sociedade melhor. Normalmente a utopia é entendida como um conceito distante, da ordem da imaginação, mas ela também pode ser toda uma construção ideológica que existe dentro do nosso governo”.

A mesa teve fim com um discurso de Joaquin Piñero, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que saudou a Prefeitura de Maricá por simbolizar uma “lanterna dianteira de debate e soluções de problemas sociais”.

“Estamos dentro de uma engrenagem perversa que mantém o sistema de destruição de sonhos e de projetos de vida. A crise no sistema capitalista que vivemos hoje é estrutural, sem tamanho. Por isso é fundamental discutir a utopia e, por isso, saudamos essa visão estratégica da Prefeitura de Maricá, que está no coração dos sem-terra e do Brasil inteiro". 

O Festival da Utopia acontecerá até o domingo (22) com uma programação extensa de debates, Feira da Reforma Agrária e Economia Solidária e o espaço gastronômico Culinária da Terra, ambos organizados pelo MST. O Festival também conta com a Feira Literária Paulo Freire e uma série de shows de artistas como Emicida, Maria Rita, Martinho da vila e Negra Li.

A programação completa pode ser conferida na página do Facebook

Edição: Mariana Pitasse