LEGITIMIDADE

Milhares vão a Brasília para registrar candidatura de Lula

Detido desde abril em Curitiba, Lula tem 40% das intenções de votos e será o candidato pelo PT

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Se Lula for impugnado o PT poderá indicar outro candidato / Ricardo Stuckert

A campanha Lula Livre dará um passo fundamental em 15 de agosto. Conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, esse é o último dia para que os partidos registrem seus candidatos para as eleições de 2018. Tudo indica que o Partido dos Trabalhadores (PT) registrará oficialmente Luiz Inácio Lula da Silva como seu candidato à presidência.

Esta será a primeira vez que uma pessoa presa disputa a eleição para presidente, o que torna a candidatura um dos atos políticos mais importantes da atualidade. Organizações partidárias e movimentos populares pretendem complementar esse momento com a ida de milhares de pessoas a Brasília.

Espera-se que a pressão popular cause boas repercussões, como a greve geral de 28 de abril de 2017. A paralisação foi a maior da história brasileira e fez com que o governo de Michel Temer e parlamentares recuassem na reforma da Previdência. Para o vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas (CUT/MG), Jairo Nogueira, os deputados e senadores paralisaram a votação por medo da reação popular. 

“No caso da candidatura de Lula, pode funcionar igual. Teve um grande movimento popular e eles [governo Temer e parlamentares] tiveram que recuar. Por mais que eles falem que não precisam do povo, eles têm medo do povo”, analisa. Ele reitera que a eleição de 2018 será considerada uma “fraude” caso o candidato mais cotado, Lula, seja impedido por uma condenação sem provas.

Dentro da lei

Segundo o advogado Wagner Dias, a lei admite que Lula se registre como candidato e inicie sua campanha eleitoral, que começa em 16 de agosto. Após o registro, demais grupos políticos podem pedir a impugnação do candidato. O TSE tem até 17 de setembro para julgar o caso. Se Lula for impugnado, diz Wagner, o PT poderá indicar outro candidato.

Na opinião do advogado, que é da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Lula não deve ser visto como um preso comum, mas sim como um “preso político”. “Hoje, a prisão política vem mascarada de uma luta contra a corrupção, mas a verdade é que tem um motivo político. A máscara funciona para as pessoas não se comoverem com a injustiça”, afirma.

Voto em Lula cresce

A última pesquisa do instituto Vox Populi, divulgada em 20 de julho, mostra Lula novamente na liderança. 40% do eleitorado afirma que votará no ex-presidente. Para atingir a mesma porcentagem de votos, seria preciso somar os seis candidatos abaixo de Lula.

Edição: Joana Tavares