Educação

Alunos e professores da UFPR protestam contra cortes de verbas para pesquisa

Conselho Universitário apresentou uma moção de repúdio destacando os prejuízos para o futuro da nação

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Mais de mil pessoas se reuniram na praça contra os cortes de verbas da Capes / Ana Carolina Caldas

O ato “Luto pela Ciência, pela universidade pública”, na quarta-feira (08), reuniu mais de mil pessoas na Praça Santos Andrade, em Curitiba (PR), que se manifestaram contra cortes de verbas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes). Foi lida uma moção de repúdio  aprovada na mesma manhã pelo Conselho Universitário, destacando que a UFPR está preocupada com o “futuro de milhares de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, que podem deixar de ser pagas, afetando diretamente a produção do conhecimento brasileiro.”

O reitor e professor Dr. Ricardo Marcelo Fonseca abriu a manifestação conclamando a sociedade a se unir à comunidade acadêmica na defesa da educação, da ciência e tecnologia brasileiras. “ O que está em jogo é o futuro do Brasil. Se forem efetivados os dramáticos cortes pretendidos pelo Ministério do Planejamento, o que ocorrerá na prática será uma descontinuidade nos processos de geração de conhecimento que talvez não sejamos capazes de recuperar depois”, afirmou o reitor. Em entrevista para imprensa, disse que “o corte de verbas está diretamente relacionado ao futuro da nação. Por isso, estamos em praça pública trazendo o tema para que a sociedade esteja ciente.”

A Professora Andreia Gouveia, do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná, presente na manifestação, disse que a atual conjuntura do país exige que alunos e professores estejam na rua: “É preciso deixar claro para a população o que implica não ter mais verbas para pesquisa. A essência da Universidade é produção e geração de conhecimento, que é feito através desses estudos”, explica.

Alunos de graduação e pós graduação também somaram no ato levando cartazes. Jacir Tedesco, estudante de mestrado, afirmou que o corte de verbas atinge diretamente os cursos de pós graduação: "Além disso, é uma porta aberta para que se justifique que não é preciso mais investimento público e se privatize a educação".

A manifestação foi organizada pela UFPR com o apoio das entidades representativas de professores, servidores técnico-administrativos e estudantes: Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Paraná (Sinditest-PR), Diretório Central dos Estudantes (DCE) e Associação dos Servidores da UFPR (Asufepar).

Abaixo a moção em defesa do orçamento integral para educação. 

Moção do Conselho Universitário em defesa do orçamento integral do MEC e do MCTIC na LOA 2019

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Paraná (COUN/UFPR) manifesta-se em apoio à manutenção dos recursos destinados à Educação e à Ciência, Tecnologia e Inovação no País pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019, do modo como foi aprovada no Congresso Nacional, que assegura o mínimo para o funcionamento do sistema de educação superior. A lei orçamentária precisa ser sancionada sem vetos, sobretudo garantindo a manutenção dos recursos e o uso das verbas de arrecadação própria das Universidades.

A CAPES alertou para o drama que acontecerá em 2019 se os cortes de recursos anunciados pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão se concretizarem. Assim, a UFPR também se manifesta em apoio à Nota do Conselho Superior da CAPES, contida no Ofício nº 245/2018 de 1º agosto de 2018, endereçada ao Ministro da Educação, na qual solicita uma ação emergencial que garanta a manutenção dos programas de fomento da CAPES, essenciais para a pesquisa, a pós-graduação, a formação dos profissionais de educação básica e o funcionamento da Universidade Aberta do Brasil (UAB), assim como para os programas de fomento à internacionalização.

A UFPR se manifesta preocupada com o futuro de milhares de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, que podem deixar de ser pagas, afetando diretamente a produção do conhecimento brasileiro; com os programas de fomento à formação dos professores da educação básica, que podem ser comprometidos, o que afetará não só as instâncias das universidades responsáveis pela formação de professores, como também, a médio prazo, a própria educação básica; com o risco de supressão das iniciativas de cooperações internacionais, de ensino a distância e de mestrados profissionais, dentre outros programas do Ministério da Educação; e com o consequente impacto nas atividades de graduação, que se ocupam da formação de profissionais de nível superior para atuarem em todos os setores da sociedade.

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Paraná lembra ainda que as universidades públicas brasileiras são responsáveis por cerca de 90% da geração do conhecimento, ciência e tecnologia em nosso país; que recursos na educação não são gastos, mas sim investimentos de compromisso com uma nação próspera no futuro; que golpear os lugares de produção de conhecimento ou deixar de investir na produção da ciência e tecnologia causará uma descontinuidade no processo de produção dos saberes.

Para assegurar a missão da UFPR de ensino, pesquisa e extensão, gratuitos e de qualidade, o COUN se posiciona na defesa dos recursos orçamentários para a educação, ciência, tecnologia e inovação, com vistas a uma nação brasileira soberana, mais civilizada e com perspectiva de futuro.

Edição: Laís Melo