Memória

MPF critica homenagem a Rondon Pacheco

Em Uberlândia (MG), projeto de vereador prevê a instalação de monumento em nome de envolvido na ditadura

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Comissão da Verdade afirmou repudiar homenagens feitas a apoiadores e integrantes da ditadura / Foto: Câmara de Uberlândia

O Ministério Público Federal, na figura do Procurador da República Leonardo Andrade Macedo, enviou uma recomendação à Câmara Municipal de Uberlândia para que os vereadores revoguem o projeto do vereador Ronaldo Alves (PSC) que pede a instalação de um monumento em homenagem a Rondon Pacheco, além de instituir uma Comenda de mesmo nome.

Segundo documento do MPF, Rondon “teve papel destacado em atos de graves violações a direitos humanos no período da ditadura militar; como se sabe, o período da história brasileira iniciado em 1964 foi marcado por graves violações a direitos da população brasileira”. O inquérito também menciona a participação direta de Pacheco nas deliberações para a aprovação do Ato Institucional nº 5 e às violações contra os índios Krenaks.

O documento do MPF se baseia nas recomendações deixadas pela Comissão Nacional da Verdade, que repudiam homenagens feitas a apoiadores e integrantes da ditadura militar e também nos relatórios da Comissão Regional da Verdade do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba Ismene Mendes, que solicita o “reconhecimento dos crimes de lesa humanidade praticados pelo Sr. Rondon Pacheco, como um dever do Estado brasileiro e mineiro”.

Na contramão disso, o presidente da Câmara, Alexandre Nogueira (PSD), disse que os vereadores irão manter as homenagens. 

 

Edição: Joana Tavares