TEATRO

Peça que retrata campos de concentração durante seca no Ceará se apresenta em Recife

A montagem, composta por oito cenas independentes, faz curta temporada na cidade

Brasil de Fato | Recife (PE)

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A encenação se utiliza de ares das décadas passadas, do cinema mudo e da radionovela, elemento de forte presença na década de 1930 / Marília Cabral

Tem início nesta quinta-feira (13), na Caixa Cultural Recife, o espetáculo teatral Curral Grande, do Coletivo Ponto Zero. Dirigida por Eduardo Machado, a montagem é baseada na obra do pesquisador e dramaturgo Marcos Barbosa e circula pelo país desde 2014, tendo conquistado vários prêmios. A peça mostra a graça e a miséria de um povo que sofreu e vem sofrendo com os processos de higienização social presentes na história do Brasil. A montagem segue em cartaz até dia 22 de setembro, com ingressos a R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). Os horários nas nas quintas e sextas são às 20h; e nos sábados às 18h e às 20h.

A encenação se utiliza de ares das décadas passadas, do cinema mudo e da radionovela, elemento de forte presença na década de 1930, permeando divertidamente a história dos “Currais do Governo”, campos de concentração durante a seca no Ceará. O espetáculo é composto por oito cenas independentes, porém correlacionadas, que apresentam diversas facetas da história - através de personagens que moram em uma casa simples no meio do sertão, também uma família abastada da capital Fortaleza, assim como a cúpula do governo, até chegar, de fato, aos campos de concentração.

Os quatro atores - Brisa Rodrigues, Brunna Scavuzzi, Carlos Darzé e Lucas Lacerda - se revezam em mais de 40 personagens, estabelecendo um “jogo” com formas estéticas diferentes: da construção realista à caricatura, do teatro épico narrativo à contação de história.

“Há histórias que precisam ser lembradas. Não tenho a pretensão de dizer que precisamos lembrar delas para não repeti-las. É preciso lembrar delas, justamente, para atentarmos ao fato de que as temos repetido”, explica Marcos Barbosa, autor da obra. “É uma peça sobre viver. Sobreviver é preciso. No meio de tantas contradições, o Ponto Zero foi o (re)encontro com nossa história, que parece que só se repete”, complementa o diretor Eduardo Machado.

Quem assistir ao espetáculo nas sextas-feiras terá ainda a oportunidade de, após a apresentação, participar de um bate-papo com os atores sobre o processo de criação da peça. O Coletivo Ponto Zero falará também a respeito da experiência singular que tiveram de conversar com Dona Lina - avó do autor - que aos 98 anos, ainda dá o seu vívido testemunho sobre os campos de concentração de 1932, no Ceará.

 

 

Edição: Catarina de Angola