ELEIÇÕES 2018

Editorial | Eleições também é luta de classes

O povo brasileiro aponta para o futuro e mostra para onde ir

Brasil de Fato | Salvador (BA)

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Milhares de pessoas caminharam com Haddad e Manuela pelas ruas de Vitória da Conquista, na Bahia. / Ricardo Stuckert

Uma sombra paira sobre o atual processo eleitoral em curso no Brasil. Para muitos, é fácil identificar este espectro com nome, sobrenome e endereço atualmente localizado num hospital de São Paulo. O candidato à presidência Jair Bolsonaro despontou em primeiro lugar nas intenções de votos, após a manobra do Tribunal Superior Eleitoral, que excluiu definitivamente Luís Inácio Lula da Silva do pleito. Pela primeira vez, no Brasil, desde o fim da ditadura e do restabelecimento da democracia, um candidato de extrema direita aparece com reais chances de vitória. A sua ocorrência não é mero acaso. É produto da ofensiva neoliberal responsável pelo impeachment e por todas as medidas golpistas. É consequência da perseguição politica, jurídica e ideológica capitaneada pela mídia e pelo judiciário.

Bolsonaro cresce a partir da criminalização lançada sobre todas as pautas associadas à esquerda, ou mesmo aos direitos humanos. O fascismo se alimenta do ódio latente em uma sociedade profundamente desigual, insuflado por uma elite subalterna e inimiga do povo brasileiro. Os que, em 2016, foram às ruas de verde amarelo, bater panelas exigindo a retirada da presidenta legitimamente eleita Dilma Roussef, hoje, buzinam seus carros de luxo anunciando seu candidato, desprovido de propostas, preparo político, honestidade ou valores humanos.

O fantasma que ronda os eleitores brasileiros, entretanto, não é o indivíduo protofascista, que em meio ao caos institucional e à aguda polarização política, pode chegar ao segundo turno. Trata-se de um inimigo mais antigo e mais sutil. O elemento cíclico, mas frequente, que expõe, dia após dia, o caráter anti-popular, anti-nacional e anti-democrático dos donos do poder neste país.

Desde 2015, vivemos um golpe, mais um em nossa história de breves intervalos democráticos. O governo Dilma foi sabotado por meses, até que montou-se uma farsa jurídico-midiática, intitulada impeachment. Como primeira medida, o governo-poste de Michel Temer aprovou uma PEC que congela por 20 anos os investimentos em políticas sociais, e em seguida, a reforma trabalhista. Nosso petróleo do pré-sal e todas as nossas riquezas, que deveriam financiar o desenvolvimento e o bem-estar da população, estão sendo vendidas a empresas estrangeiras. A nossa soberania é leiloada, as lutas criminalizadas, e enquanto isso, a extrema direita cresce sem obstáculos. A última manobra golpista escancarou a violação ao exercício democrático, uma vez que aprisionou, há quase cinco meses, sem prova alguma, o candidato com maiores intenções de votos, aquele que o povo mais deseja ter na presidência.

Nas sombras, opera o poder econômico, os donos do mundo que não podem permitir ao nosso país um desenvolvimento nacional soberano e autônomo. Como capataz, a elite subserviente que não tolera participação popular. Estes, podem permitir que Bolsonaro se eleja. Ou podem decidir revogar as eleições, caso a derrota novamente se coloque em seu caminho.

Fato é que, em nosso horizonte, há apenas um elemento com o potencial de enfrentar essa engrenagem brutal - o povo organizado e em luta. Que atualmente se identifica com a esperança que vive sob a estrela de Lula. E que explica o crescimento extraordinário de Fernando Haddad nas pesquisas como essa estrela iluminada. O identificamos na veemente recusa #elenão. O identificamos quando milhares de pessoas, nordestinos, mulheres, estudantes, defendem, com seu voto, um projeto de inclusão, que distribuiu renda, promoveu acesso a educação, retirou o Brasil do mapa da fome, gerou empregos, criou universidades e melhorou a vida da gente simples desse país. O povo brasileiro aponta para o futuro e mostra para onde ir. Iremos com Haddad, Manuela e Lula até o fim.

Edição: Elen Carvalho