ELEIÇÕES

Negras e domésticas seriam maiores prejudicadas em governo Bolsonaro

Tendência é que desigualdade entre homens e mulheres no trabalho piore, aponta levantamento do Dieese

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Reformas de Temer com voto de Bolsonaro pioraram situação de mulheres negras e trabalhadoras / Agência Brasil

A situação trabalhista precária de mulheres negras e empregadas domésticas pode piorar, caso o candidato do PSL à presidência da república, Jair Bolsonaro, vença as eleições. O diagnóstico foi feito pela presidente do sindicato de trabalhadoras domésticas de Nova Iguaçu, Cleide Pinto. 

“Ele (Bolsonaro) deixou bem claro que vai governar para os grandes. Nossa preocupação é essa, que tudo vai voltar à estaca zero, vamos perder nossos direitos e voltar ao trabalho escravo. Imagina o que será da vida de uma mulher, negra, doméstica?”, questionou a representante da categoria. 

Segundo Cleide Pinto, o que o governo de Michel Temer aprovou, com a ajuda dos votos de Bolsonaro como deputado federal, já vem piorando a vida das trabalhadoras domésticas. O candidato do PSL votou a favor da reforma trabalhista e contra a PEC das Domésticas. 

“Desde que Temer assumiu, a situação da mulher negra ficou difícil, principalmente para a trabalhadora doméstica. No sindicato, a gente se depara com situações gritantes que não aconteciam há muito tempo. Isso, depois dos avanços que tivemos com FGTS e auxílio-desemprego, mas que estão indo por água abaixo”, afirma Cleide. 

Dados recentes divulgados pelo IBGE mostram que as mulheres, mesmo tendo melhor formação em anos de estudo que os homens, recebem menores remunerações e ainda trabalham mais horas quando se somam as horas em afazeres domésticos às horas de trabalho externo. 

“Isso vem de um processo histórico de inferiorização da mulher que faz com que as empresas tenham ganho maior em cima do trabalho feminino. Por isso, é importante e fundamental a criação de políticas públicas que combatam essa desigualdade. Esses candidatos que não contemplam essas questões reproduzem essa desigualdade”, avalia Iderley Colombini, analista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Edição: Mariana Pitasse