Opinião

Editorial | Bolsonaro aprofundará medidas de Temer

No Congresso, todos os votos do candidato do PSL à Presidência foram contra os trabalhadores

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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"O que está em jogo é um projeto de civilização contra um projeto de barbárie" / Foto: Reprodução

Chegamos à última semana da eleição brasileira mais importante desde 1989. Escancarou-se a polarização de projetos. Um projeto - Bolsonaro - de continuidade das reformas de Temer, em que os custos da crise recaem sobre os trabalhadores, com um ultra liberalismo e discurso pró ditadura. De outro lado, o projeto Haddad, que reivindica os programas sociais que garantiram crescimento econômico com desenvolvimento social, em que foram apresentadas propostas novas para o aquecimento do consumo, geração de empregos, uma reforma tributária que atinge as grandes fortunas, federalização do ensino médio e retomada do conteúdo nacional das estatais, sobretudo a Petrobrás.

Uma eleição atípica, em que as diferenças de planos de governo não foram debatidas. A marca foi a narrativa do machismo, homofobia, racismo e preconceitos contra nordestinos, amparados no antipetismo e na luta de mentirinha contra a corrupção. Uma enxurrada de mentiras orquestradas pela mesma assessoria que levou a ultradireita americana ao poder e que influenciou os resultados do primeiro turno. Mentiras financiadas por caixa 2. Dinheiro de empresas e patrões para quem interessa que Bolsonaro ganhe. 

O povo brasileiro não quer projeto de ódio

Os mais velhos se surpreenderam com uma campanha que precisou relembrar a figura do maior torturador da ditadura de 1964, coronel Brilhante Ustra, para lembrar aos mais novos que muitos sofreram para garantir nossa democracia. Ameaças de retrocessos percebidas quando o incentivo ao ódio matou e feriu vários nos últimos dias que se identificavam com as causas populares. Um Estado ameaçado como podemos perceber na fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmando a possibilidade de derrubar o Superior Tribunal Federal; ou na própria fala de Jair Bolsonaro, quando afirma que irá acabar com sua oposição, prendendo ou expulsando, se eleito.

Os esforços dos democratas, ativistas e militantes sociais mostraram que quando a verdade aparece o povo brasileiro não assume um projeto de ódio. Foram muitos debates, diálogos, atos públicos, caminhadas e propagandas que deixaram transparentes as verdadeiras intenções das elites brasileiras de apostar numa candidatura de Bolsonaro e pôr fim aos direitos conquistados pelos trabalhadores. Chegamos nesta reta final com chances de reverter o resultado, pois a verdade está do nosso lado. O que está em jogo é um projeto de civilização contra um projeto de barbárie. O futuro está em nossas mãos no dia 28.

 

Edição: Elis Almeida