Eleições

Veja as propostas de Zema e Anastasia para a saúde e a educação

Privatizações e parcerias com setor privado têm dado o tom da disputa no segundo turno

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Anastasia fala em fortalecer a atuação do Estado. Zema, por sua vez, apresenta um programa explicitamente privatista / Foto: José Carlos Paiva/Imprensa MG

Você sabe o que Zema (Novo) e Anastasia (PSDB) pretendem fazer com a saúde e educação em Minas Gerais? Não é fácil identificar as intenções reais dos candidatos a governador. O partido de Anastasia tem um currículo marcado por parcerias com empresas, mas seu plano de governo fala em fortalecer a atuação do Estado. Zema, por sua vez, apresentou um programa explicitamente privatista. A ideias repercutiram mal e o candidato mudou o discurso no segundo turno. Conheça algumas propostas, disponíveis no site do TSE. 

Saúde: existe uma ameaça de destruição do SUS

 “A eleição, para a classe trabalhadora mineira, foi perdida no primeiro turno”, comenta Érico Colen, diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG). Para ele, tanto Anastasia quanto Zema  são governos liberais, apesar das diferenças.  

“Zema tem uma tendência à privatização completa e irrestrita a médio e longo prazo. No caso do Anastasia, a gente já conhece o governo PSDB. Foi um governo terrível para os trabalhadores, não conseguimos avançar em muitas pautas, mas a gente conseguiu enfrentar e barrar a privatização da Fundação Ezequiel Dias (Funed)”, aponta o sindicalista. 

Anastasia tem como propostas retomar programas de assistência à saúde, como, por exemplo, o Mães de Minas, que tem como objetivo reduzir a mortalidade infantil e materna. Além disso, o candidato promete terminar as obras dos hospitais regionais.

Bruno Pedralva, médico da Rede de Médicas e Médicos Populares, alerta que Zema pode significar uma ameaça ao serviço de saúde gratuito e de qualidade. “Zema representa a destruição do SUS e o estímulo ao crescimento do setor privado”, afirma. 

Em seu plano de governo, o candidato do Novo é radical ao propor parcerias com o setor privado para complementar o atendimento do SUS. O empresário propõe fazer parcerias com organizações sociais e filantrópicas para concluir as obras e administrar os hospitais regionais, de forma que 40% das vagas sejam destinadas, posteriormente, para o SUS.

Educação: Zema quer fazer o que não deu certo no passado tucano

Os dois programas têm em comum a centralidade à iniciativa privada. Entretanto, a forma como eles abordam esse objetivo os diferencia. Anastasia promete manter escolas bem estruturadas, com professores motivados e preparados, e o papel do Estado nesse processo. “Ele não fala explicitamente em parcerias com o setor privado, mas em novas tecnologias e em incentivar a inovação e empreendedorismo”, comenta o pesquisador Tiago Jorge, doutor em educação e integrante do Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente (Gestrado). 

Se o programa do PSDB é genérico nas propostas, Zema é mais específico e prega a privatização. Uma expressão usada por ele é: “ensino público com soluções do ensino privado”. O financiamento da educação seria por vouchers: o Estado transfere tickets para famílias escolherem escolas particulares onde seus filhos estudariam. 

 “É um modelo que transfere recursos públicos para a iniciativa privada. Ele também fala em disponibilizar espaços ociosos das escolas para instituições privadas e, em troca, ter bolsas para estudantes de baixa renda”, cita Tiago. Quanto à carreira docente, Zema questiona os direitos adquiridos dos funcionários públicos e propõe enxugar o currículo. 

 

Edição: Joana Tavares