GEOPOLÍTICA

Seminário sobre conjuntura mundial e desafios para o Brasil ocorreu na UFRJ

Debate sobre mudanças nas tendências hegemônicas globais vão além da questão econômica e englobam ciência e tecnologia

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Ao todo, serão dez encontros, a expectativa é produzir coletivamente um livro com reflexões levantadas ao longo dos debates  / Foto: André Cardoso

Na última segunda-feira (12) ocorreu o primeiro seminário organizado por centros de pesquisa e organizações populares e sindicais sobre a conjuntura mundial e os desafios para América Latina e Brasil. Serão dez encontros até o final deste ciclo, a expectativa é produzir coletivamente um livro com reflexões levantadas ao longo dos debates. 

O evento foi promovido pelo Núcleo de Estudos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ) sobre Geopolítica, Sistema Mundial e Integração Regional (GIS/UFRJ) e lotou o Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Largo São Francisco de Paula, centro do Rio de Janeiro.

Na mesa de abertura, a professora da UFRJ e diretora de pesquisa da Cátedra e Rede UNESCO sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (REGGEN), Mônica Bruckmann, falou sobre a importância de fortalecer posicionamentos que visam atuar de maneira propositiva na sociedade, aproximando a academia dos movimentos populares.

Também falaram na abertura do evento Sergio Sant'anna, do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e Olímpio Alves dos Santos, do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (SENGE-RJ), que comentou sobre o desafio de construir uma frente política democrática diante de um governo de extrema-direita no país. “O Brasil não está imune às mudanças mundiais”. 

Compuseram a mesa o Instituto Tricontinental, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o ex alto representante do Mercosul Samuel Pinheiro Guimarães. 

Novas tendências mundiais 

Nesta primeira parte, o seminário analisou os  aspectos geopolíticos em andamento e de integração regional como a emergência da região asiática e particularmente da China como grande articulador de novas tendências na economia.

A professora adjunta do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Beatriz Bissio fez uma breve apresentação com o questionamento: “Esse novo arranjo mundial pode mudar o futuro do mundo?”  na primeira parte do seminário, indicando a queda da liderança dos Estados Unidos no cenário internacional. “O declínio do ocidente aponta para a formação de um mundo multipolar, com Rússia e China como atores de destaque”. 

Segundo Bruckmann, o deslocamento de hegemonia para o campo asiático do globo não se dá apenas no nível econômico. Ela vai além, e afirma que a China tem disputado ciência, tecnologia e pesquisa de ponta em áreas que eles consideram estratégicas. Para ela, o principal desafio é entender o papel da integração regional dos países da América Latina, uma vez que a economia mundial vai demandar recursos naturais. 

Anna Esther Ceceña, coordenadora do Observatório Latino-Americano de Geopolítica e professora da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) participou do seminário por videoconferência. “Estamos em uma época de transição, para uma nova hegemonia mais oriental, asiática, e quem sabe uma alternância de hegemonia dentro do capitalismo”, destaca. Ela falou sobre a estreita relação entre hegemonia e disputa de territórios, maneiras de produzir e compreender o mundo.

 

Edição: Jaqueline Deister