Agronegócio

Editorial - A musa daninha da Agricultura

A nova Ministra da Agricultura de Bolsonaro, Tereza Cristina, é conhecida entre os colegas como a musa do veneno.

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Tereza Cristina possui seu próprio símbolo: o “PL do Veneno”, que na prática quer amenizar o impacto de agrotóxicos nas lavouras. / Luis Macedo/Ag. Câmara

Uma das definições do dicionário para “musa” é “Tudo o que pode inspirar um poeta”. Já “veneno” significa “Substância que mata seres vivos ou os torna doentes”. A nova Ministra da Agricultura de Bolsonaro, a deputada e pecuarista Tereza Cristina (DEM-MS), é conhecida entre os colegas como “Musa do Veneno”.

 

Desde 2015, quando estreou como deputada federal, Cristina é motivo de “inspiração” para parlamentares: ela é líder da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), a “bancada ruralista” (que reúne 227 dos 513 deputados). No Congresso brasileiro, a deputada entusiasmou também o governo Temer, ajudando a barrar investigações sobre denúncias de corrupção do presidente.

 

A tradição das musas gregas estimula ainda outras semelhanças com o Brasil. Se na Grécia elas reverenciam Apolo, aqui o seu Deus é o Agronegócio. E como toda musa, Tereza Cristina possui seu próprio símbolo: o “PL do Veneno”, que na prática quer amenizar o impacto de agrotóxicos nas lavouras, como se não fossem substâncias mortais para seres vivos. O projeto de lei (ainda em tramitação) é criticado por órgãos sanitários, pesquisadores e ambientalistas, que temem riscos à saúde pública.

Edição: Hugo Leme e Gabriel Ruiz