MEMÓRIA

Livro-dissertação de Marielle Franco sobre segurança pública é lançado no Rio

“UPP: redução da favela a três letras” é uma análise sobre a política de segurança pública e a militarização nas favelas

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

,
O evento foi marcado por emoção e cobrou a elucidação do crime político que matou Marielle Franco e Anderson Gomes / Foto: Clivia Mesquita

Nesta quarta-feira (14), completam-se oito meses do assassinato de Marielle Franco (PSOL) e do seu motorista Anderson Gomes. A data foi marcada pelo lançamento da dissertação de mestrado da vereadora mais votada nas eleições de 2016. O evento foi organizado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro e pela editora "N-1 edições".

A atividade aconteceu no Salão Nobre do 2° andar da Casa legislativa, localizada na Cinelândia, centro do Rio, e reuniu centenas de pessoas que exigem uma resposta das autoridades sobre quem mandou matar Marielle.

No livro, a vereadora, que ocupou o cargo de coordenadora da Comissão de Direitos Humanos na Câmara, analisou a política de segurança pública no estado do Rio e a militarização da vida dos moradores de favelas. A trajetória acadêmica e pessoal de Marielle Franco são indissociáveis. Mônica Francisco, deputada estadual eleita pelo PSOL, fez um discurso carregado de emoção, que levou o público às lagrimas. 

"A força dessa mulher é força das que resistiram antes de nós e sangraram antes de nós. Que choraram e deram a vida pra que nós estivéssemos aqui nesse momento", destacou Mônica que foi assessora de Marielle no parlamento.

Lia Rocha, professora de sociologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e revisora do livro-dissertação, contou que o projeto teve início logo após a execução da vereadora. "Para nós é uma missão levar o legado de Marielle. Esse é o primeiro, mas temos o projeto de fazer outros, com os discursos, a biografia, a ideia é publicizar ao máximo as palavras, o exemplo, a vida e a luta da Marielle", declarou.

Todo evento foi marcado por falas emocionadas de amigos que dividiram a vida política na Câmara com a vereadora. Os pais e a irmã de Marielle Franco também estavam presentes. "Quem cuida do lado emocional e psicológico dessa família? Não é porque a gente é mulher preta que está acostumada a levar porrada e ser abandonada. Eu espero que cada um que grite 'Marielle, presente' saiba a essência e grite a Marielle de verdade", disse a irmã Anielle Franco.

No final, a cantora Marina Lins apresentou um repertório de canções acompanhada de violão. Entre elas, o samba-enredo da Mangueira de 2019 que presta homenagem à Marielle.

Sem repostas

O crime completou nesta quarta-feira (14) 245 dias sem respostas. Por isso, a Anistia Internacional divulgou hoje  um levantamento que reúne informações veiculadas publicamente sobre o caso. 

Embora a investigação esteja sob sigilo, desde a noite do assassinato da vereadora e do seu motorista foram divulgadas informações de alta gravidade.

O documento aponta possíveis incoerências e contradições no decorrer das investigações, divididas em cinco categorias: disparos e munição; a arma do crime; os carros e aparelhos usados e as câmeras de segurança; os procedimentos investigativos e o andamento das investigações. 

“O quadro geral aponta que as autoridades do sistema de justiça criminal parecem estar se esquivando de sua responsabilidade. O Estado não pode deixar sem explicação o sumiço de munição e submetralhadoras de sua propriedade”, afirmou Renata Neder, coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional no Brasil.

Edição: Jaqueline Deister