MEMÓRIA

Jornalista Mário Augusto Jakobskind é homenageado no Rio de Janeiro

Solenidade concedeu título de benemérito do estado ao jornalista e escritor que dedicou a vida às lutas sociais

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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O jornalista, que integrava desde 2003 o conselho político e editorial do jornal Brasil de Fato, faleceu no dia 4 de outubro deste ano / Clívia Mesquita

A noite da última quarta-feira (28) foi marcada por uma cerimônia em homenagem ao jornalista e escritor Mário Augusto Jakobskind, na sede da Associação Cultural José Martí (ACJM-RJ), no centro do Rio de Janeiro. O jornalista, que integrava há 15 anos o conselho político e editorial do jornal Brasil de Fato, faleceu no dia 4 de outubro deste ano no Rio de Janeiro.

A iniciativa da homenagem foi de autoria do deputado estadual Paulo Ramos (PDT), que concedeu o título de benemérito do estado do Rio de Janeiro a Jakobskind. No início do evento, os presentes assistiram um documentário dirigido por Mário Augusto em 2006. Em Cuba, o jornalista gravou depoimentos de jovens brasileiros na Escola Latino-americana de Medicina. Nas entrevistas, eles contaram que no Brasil desejavam fortalecer o Sistema de Único de Saúde (SUS) e a atenção básica.

Jakobskind dedicou sua carreira ao jornalismo atrelado às lutas sociais, sendo colaborador de "O Pasquim" e redator e editor, no Rio de Janeiro, da revista "Versus", primeira publicação de caráter latino-americano no Brasil. Mário também escreveu diversos livros, o mais recente “América que não está na mídia” foi publicado em 2005.

"O Mário era aquela figura com a qual todos nós podíamos contar", comentou Paulo Ramos (PDT). A saudade e a admiração marcaram as falas de amigos e familiares durante o evento. "Ele faz falta principalmente nesse momento que vivemos um gravíssimo retrocesso", lamentou o deputado em seu discurso. 

Ao longo da carreira, ele passou pela redação de diversos jornais e agências de notícias, como a France Presse, em que foi redator, a Folha de S. Paulo, do qual foi repórter da sucursal do Rio de Janeiro, e a Tribuna da Imprensa, na qual trabalhou como editor de internacional.

Em sua última coluna ao Brasil de Fato, Jakobskind escreveu sobre o livro "Meninos sem pátria" que foi censurado de uma escola no Rio de Janeiro. O texto faz um alerta para a ascensão do fascismo no país, e a importância de conhecer a história para que ela não se repita. “E que o Brasil não padeça do mesmo pesadelo histórico”, alertou em seu último texto, pouco antes de falecer. 

Edição: Mariana Pitasse