Cinema

O que tu indica? | Eu não sou uma bruxa

"Eu Não Sou Uma Bruxa" é uma grande revelação que garantiu a Rungano Nyoni um prêmio BAFTA

Brasil de Fato | Recife (PE)

,
Cena do longa de Rungano Nyoni / Divulgação

Este longa-metragem de 2017 dirigido pela diretora zambiana Rungano Nyoni retrata a realidade da jovem de 8 anos Shula (Maggie Mulubwa) acusada de bruxaria por uma banalidade e obrigada a viver em uma colônia itinerante de bruxas, prestando serviços ao governo, sendo exilada para um campo de bruxas no meio do deserto. No local, ela passa por uma cerimônia de iniciação em que aprende as regras da sua nova vida como bruxa. Como as outras residentes, ela é amarrada em uma grande árvore, sendo ameaçada de ser amaldiçoada e de se transformar em uma cabra caso corte a fita. Nesta jornada, o governo acredita que essas mulheres tem poderes sobrenaturais e como prestação de serviço as "bruxas" têm funções de trabalho peculiares devido a crença da população na Zâmbia.

Uma grande obra que tem críticas à intolerância com o feminino, ao colonialismo, ao patriarcalismo, às superstições. Com uma cajadada só, a diretora expõe a problemática da exploração do trabalho, reaviva a vergonhosa ação dos "zoológicos humanos" como turismo para pessoas brancas e principalmente trata da questão do controle e poder sobre o corpo feminino. Ela ultrapassa as questões românticas atreladas ao olhar que o ocidental tem muitas vezes sobre as tribos africanas, desnaturalizando a ideia de convivência harmônica intra-tribos, além de denunciar o sistema de exploração e manipulações do misticismo. Tudo isso acompanhado de uma excelente direção de fotografia e arte, as mudanças de cor da película nos aproxima muito da realidade e sensações das personagens. É inevitável não se emocionar após o seu término mesmo com a belíssima mensagem de libertação. 



*Carolina Reis é estudante de engenharia civil

Edição: Marcos Barbosa