Solidariedade

Catadores celebram Natal na Vigília Lula Livre

Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis viajou em caravana até Curitiba para encontrar ex-presidente

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

,
O catador Luiz Henrique da Silva esteve ao lado de Raduan Nassar e Fernando Haddad na Vigília Lula Livre / Joka Madruga | PT Nacional

Desde 2003, todos os anos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebra o Natal com catadores de materiais recicláveis. Neste ano, uma caravana do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) viajou até Curitiba para celebrar o tradicional Natal dos Catadores na Vigília Lula Livre, em frente à Superintendência da Polícia Federal, onde o ex-presidente está mantido preso há 251 dias.

 

Antes da celebração, o representante do MNCR de Minas Gerais, Luiz Henrique da Silva, visitou o ex-presidente Lula, acompanhado do escritor Raduan Nassar, de Fernando Haddad (PT) e do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

 

O encontro com Lula, segundo Silva, gerou uma mistura de emoções. O catador disse ter saído do prédio da PF “frustrado por não conseguir fazer nada para que ele saia dali”, mas também feliz por reencontrar o ex-presidente e ver “que o Lula que a gente conhecia aqui fora é o mesmo que está lá dentro”.

 

Silva explicou que, a partir dos governos de Lula, os catadores começaram a se enxergar enquanto classe trabalhadora e a sentir orgulho da própria profissão. Para ele, defender a liberdade do ex-presidente é defender um legado de conquistas.

 

“Na realidade, a gente cresceu muito com as oportunidades criadas pelo Lula. Ele fez nós entendermos a necessidade de enfrentar as adversidades sem abaixar a cabeça, sabendo bem nossos valores. E hoje nós somos protagonistas da nossa própria história. Foi isso o maior que ele nos ensinou. Deixar Lula aí dentro é perder tudo isso”, disse.

 

Nos governos petistas, foram aprovadas a regulamentação da profissão de catador e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que trata do gerenciamento correto de resíduos e rejeitos gerados no país, incentivando a coleta seletiva e a reciclagem e destacando a importância de catadores e associações de catadores no processo.

 

Silva entende que as conquistas obtidas pelos movimentos de catadores não são sólidas e precisam de luta para que sejam mantidas. O ano de 2019, segundo o catador, deve ser iniciado com reflexões sobre os acertos e erros dos últimos anos, para que o movimento caminhe “em direção àquilo que deve ser feito para não perdermos  nossas conquistas ao longo dos anos”.

 

Carta de Lula aos catadores

 

A celebração de Natal na Vigília Lula Livre começou com a leitura de uma carta enviada por Lula ao Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.



“Todo o ano como presidente da República, eu fiz questão de participar do Natal dos Catadores, para lembrar a sociedade que o governo deve cuidar de todos, mas ter um olhar especial para quem precisa mais, para o trabalhador”, afirmou o ex-presidente, no início da carta.

 

Ao longo do texto, Lula reafirmou o compromisso que seus governos tiveram com o povo, “que são seres humanos lutando diariamente por uma vida melhor”, e destacou a importância da profissão dos catadores para a sociedade.  “O trabalho de vocês é tão importante quanto de um médico, engenheiro, advogado. É muito digno e faz o bem nessa sociedade que produz tanto lixo no meio ambiente”, escreveu Lula.

 

Ao final da celebração, catadores do MNCR, vindos de diferentes partes do Brasil, uniram-se aos militantes da Vigília para fazer uma “tenda dos sonhos”, feita de faixas coloridas, sob a qual dançaram e cantaram pedindo liberdade ao ex-presidente Lula.

 

Para o ex-ministro Gilberto Carvalho, a celebração do Natal dos Catadores na Vigília foi um “gesto de transcendência”, que mostrou o que é a essência natalina, uma celebração “daqueles que lutam e daqueles que foram injustamente vencidos pelas estruturas desse mundo”.

 

“Eu tenho certeza que Deus renasce em nós. Não para esse Natal do consumo, esse Natal dos ricos, mas esse natal revolucionário que ensina que todos somos iguais, que ensina que a nossa vida tem que ser dedicada para que nunca mais um ser humano passe fome”, disse.  

Edição: Guilherme Henrique