ORGANIZAÇÃO

Frente Brasil Popular traça estratégias de resistência em Brumadinho (MG)

Movimentos populares denunciam Vale e apostam na organização dos atingidos na conquista de direitos

Brumadinho (MG)

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“Todos nós somos atingidos, porque moramos aqui", diz militante na abertura da reunião / Frente Brasil Popular

“Todos nós somos atingidos, porque moramos aqui. Brumadinho não acabou, a Vale não destruiu a cidade. Nós vamos lutar para não esquecer essa história, mas também para manter nossos laços e nossa comunidade”. Com essas palavras é que Reinaldo Fernandes, do Partido dos Trabalhadores (PT) deu início à reunião da Frente Brasil em Brumadinho (MG), na quarta (30). Na atividade, estiveram presentes representantes de movimentos populares  que debateram impactos do rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, ocorrido na última sexta (25), e estratégias de resistência e luta por direitos da população atingida. Além do PT, de moradores da cidade, pastorais e sindicatos, estavam presentes estavam o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP).

Os movimentos estão atuando na regiáo no apoio às famílias em toda a bacia do Rio Paraopeba. O MAB montou brigadas com militantes que se deslocaram de diversos municípios ao longo do rio Doce, também destruído pela lama da Samarco, mineradora que é propriedade da Vale e da BHP Billiton. “Impressionante a semelhança com o crime no rio Doce, da atuação da Vale, dos advogados, da Justiça e do próprio governo. Estamos dialogado com os atingidos para que o que aconteceu em Mariana não pode se repetir”, afirma Camila Brito, integrante do MAB.

Luiz Paulo Siqueira, do MAM, conta que a Frente Brasil Popular tem feito um esforço de debater temas que envolvem diretamente a vida dos brasileiros. No último período, a defesa da democracia, a luta por direitos e pela soberania foram as linhas políticas definidas pela organização. “Quando a gente está falando de mineração, estamos falando sobre soberania, de bens raros e estratégicos. E o atual modelo protagonizado pelas transnacionais é um projeto lesa pátria que não tem nada para oferecer ao país, ao não ser destruição e miséria para o povo brasileiro”, avalia.

Durante a reunião, o sentimento de indignação imperava entre os moradores da região, que seguem ainda com informações desencontradas. A lista atualizada, divulgada na quarta (30) pelo Corpo de Bombeiros, aponta 99 mortos e 259 desaparecidos. Em relação aos outros efeitos, ambientais e na saúde da população ainda são danos imensuráveis. Cristiano Meireles, do MST, relata que o rio Paraopeba já está tomado pela lama que desceu do Córrego do Feijão. No acampamento Pátria Livre, que fica localizado às margens do rio, existem plantações de alimentos que, possivelmente, serão impactadas indiretamente pelos metais pesados da lama. Nas margens do rio, também existem outras comunidades ribeirinhas, indígenas e famílias agricultoras que sofrerão com a presença da lama. Na quinta (31), haverá uma manifestação a partir das 13h, ao complexo minerarão Serra Azul, da MMX, em São Joaquim de Bicas, com a presenças de moradores da bacia do rio Paraobepa.

Edição: Joana Tavares