Denúncia

"Estamos articulando recriação da Frente Parlamentar em Defesa do Rio São Francisco"

Carlos Veras, Deputado federal e ex-presidente da CUT PE, conversou sobre o crime da Vale em Brumadinho

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Carlos Veras foi eleito deputado federal pelo PT com 72.005 votos em todos os municípios de Pernambuco, incluindo Fernando de Noronha / Malu Aquino

Carlos Veras, deputado eleito para primeira legislatura em outubro, conversou em sua primeira entrevista após tomar posse sobre as prioridades do mandato, o balanço de sua atuação à frente da Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco, além do crime da Vale em MG.

BdF: O seu mandato já está pensando em alguma ação ou articulação sobre a possibilidades dos rejeitos do rompimento da barragem de Brumadinho chegarem ao nordeste? Qual seria o impacto para a região?

Carlos Veras: É bom salientar que esse é o segundo crime ambiental e de irresponsabilidade política, e que acontece com um intervalo de tempo muito curto. Isso é fruto inclusive de um processo de terceirização, de privatização. A Vale do Rio Doce foi privatizada. Enquanto ela era pública, não tínhamos presenciado tragédia nesse porte e depois de privada, veja, são duas tragédias, são dois crimes ambientais cometidos. Eu estou propondo inclusive, me articulando com a bancada de Pernambuco e do Nordeste e do Brasil inteiro né? Porque o Rio São Francisco tem afluentes em Minas Gerais, que a gente possa recriar a frente parlamentar em defesa do Rio São Francisco, não só por conta desse crime ambiental, mas também por conta do processo de venda do Rio São Francisco, da privatização da Chesf, pela revitalização do Velho Chico, tem todo um processo, e essa frente em defesa do Rio São Francisco ela é muito importante e nós vamos atuar pra que ela seja recriada então, nós precisamos inclusive, endossar a luta, eu defendo por exemplo que seja criada uma CPI mista para que a gente possa apurar os fatos durante todo esse processo que levou a mais esse crime ambiental e humano.

BdF: Você é trabalhador rural e teve um quantitativo de votos expressivos das zonas rurais do estado. Existe um projeto tramitando na Câmara dos deputados que propõe o banimento do termo "agrotóxico", segundo as empresas do agronegócio ele seria muito agressivo. Qual sua opinião sobre isso?

Carlos Veras: Primeiro eu me sinto muito honrado de ter sido o primeiro agricultor familiar a ser eleito deputado federal de Pernambuco. E agressivo é o câncer que está matando as pessoas em Pernambuco e no Brasil inteiro, fruto desse processo de envenenamento, agressivo é obrigar, é fazer com que a população coma produtos cheios de venenos. Isso é agressivo. Matar é que é agressivo. A nossa sociedade está ficando envenenada, fruto dessa política indiscriminada de agrotóxicos.



BdF: Este período do ano é marcado pela ansiedade de milhões de estudantes brasileiros na tentativa de acessar a universidade pública. Nos últimos dias o novo ministro da educação Vélez Rodriguez afirmou que "a ideia de universidade para todos não existe". Qual sua opinião sobre a declaração?

Carlos Veras: Isso é um processo de retrocesso e exclusão muito grande. Foram nos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma que a gente conseguiu fazer com que agricultores familiares, com que o filho da empregada doméstica, com que o filho do pedreiro, com que os filhos do servente, do metalúrgico, pudessem acessar a universidade pública, pudesse sonhar também em ter uma profissão a qual ele escolheu para ser e esse é um processo de retrocesso muito grande de criminalização da educação pública.

BdF: Quais são as prioridades do seu mandato e como se deu definição das prioridades?

Carlos Veras: Nós estamos construindo um projeto popular e participativo e desde o início da candidatura para que possamos ter no congresso nacional, um mandato dos trabalhadores, das trabalhadoras, então a prioridade do nosso mandato é defender os direitos da classe trabalhadora, a democracia, os direitos fundamentas, que tanto os movimentos sociais, como o movimento sindical, estão sendo afetados duramente.

BdF: Você foi presidente durante duas gestões (seis anos) da CUT PE? Qual balanço da sua atuação?

Carlos Veras: A nossa atuação na presidência da CUT, ela se deu num período de muito enfrentamento, onde os trabalhadores sofreram um processo de impacto, tanto na questão do emprego, porque aumentou muito o desemprego no país, nesses últimos anos, fruto inclusive de um processo de golpe, de desarticulação de tudo que vinha sendo feito. Um processo de atentado direto a democracia. Nós tivemos uma missão importante na CUT que foi no processo de reunificação do campo de esquerda, dos movimentos sociais, nós ajudamos no processo de criação da Frente Brasil Popular, de unificação do conjunto dos movimentos sociais com o movimento sindical, realizamos duas caravanas populares em defesa da democracia, inclusive com a presença do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma.

Edição: Monyse Ravena