Opinião

Editorial | Vale assassina reincidente

Privatização da mineradora está na origem do crime, é preciso reestatizá-la

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Que o luto, profundo e sofrido, não nos paralise; ao contrário, que nos motive pela luta por justiça / Charge: Gilmar

O crime ambiental e assassinato coletivo de centenas de pessoas em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, era previsto e anunciado. Logo após o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, em 2015, dezenas de especialistas, pesquisadores, políticos e lideranças dos movimentos populares expuseram que o atual modelo de exploração minerária no Brasil cedo ou tarde produziria nova tragédia.

Após o crime de 2015, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais constituiu comissão para mudanças nas regras de exploração e na regulamentação das barragens de rejeito. Ao ver que os trabalhos da comissão não dariam em nada, no final de 2018, o deputado relator foi categórico: “é questão de meses para que tenhamos novo rompimento”.

Assim como em Mariana, em Brumadinho as sirenes não foram acionadas. Que o luto, profundo e sofrido, não nos paralise; ao contrário, que nos motive pela luta por justiça. Que as nossas riquezas deixem de estar a serviço do lucro e da ganância e possam ser utilizadas para o desenvolvimento com justiça e seguindo o interesse público. Esse crime deve ser colocado nas contas das privatizações. É preciso reestatizar a Vale já.

Venezuela sob golpe

O mundo assiste a mais uma tentativa de golpe na América Latina. Dessa vez, o palco é a Venezuela. Juan Guaidó, chefe do Legislativo, ignorando o resultado das eleições que reelegeram Nicolás Maduro, declarou-se presidente do país. Guaidó conta com o apoio dos EUA e de outros países com governos de direita, como o Brasil de Bolsonaro (que vem mostrando submissão aos EUA). 

Os interesses dos EUA têm a ver com o petróleo venezuelano. O país latino-americano sofre com a crise econômica internacional, que assola diversas nações, inclusive o Brasil, e suporta um grave bloqueio internacional. Além disso, há controle e manipulação de preços de bens básicos pelos donos de grandes redes de supermercados, opositores de Maduro. 

Por isso, acreditar que uma intervenção no país é para defender a democracia mostra-se pura ingenuidade. O resultado das eleições venezuelanas, que elegeram Maduro, precisa ser respeitado: isso sim é defender a democracia. Busca-se sufocar economicamente a Venezuela e fragilizar Maduro para derrubar seu governo. Não há dúvidas: a soberania da Venezuela está em jogo, o que afeta a todos nós.

Edição: Elis Almeida