SOBERANIA

Artigo | A mineração no Brasil serve aos interesses internacionais

As barragens são a “ponta do iceberg” que esconde o que tem de estrutural nesses projetos.

Brasil de Fato | Salvador (BA)

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"Fica evidente que a falta de espaços democráticos de decisão fortalece ainda mais a impunidade", observa Magno. / MAB

O rompimento da barragem da Vale na cidade de Brumadinho trás novamente o debate sobre a deficiência das barragens e do modo que se dá a sua fiscalização. Existem na Bahia dez barragens, que segundo a Agência Nacional das Águas, tem risco de ruptura. Outras duas, em Jacobina e Santa Luz onde há mineração de ouro, têm “Dano Potencial Elevado”. Não podemos cair no equívoco de por centralidade apenas na questão da segurança das barragens, quer dizer, fortalecem-se os órgãos de fiscalização, utiliza-se a melhor tecnologia na sua construção e daí teremos uma estrutura segura para as comunidades e rios que estão nos arredores das minas. Devemos prestar atenção. É impossível termos segurança com este modelo mineral.

As barragens são a “ponta do iceberg” que esconde o que tem de estrutural nesses projetos: a mineração no Brasil tem por objetivo garantir lucros extraordinários para empresas multinacionais. Toda a sua cadeia de extração que é composta por minas, barragens, ferrovias, minerodutos, hidroelétricas e portos são construídas para saquear nossos bens naturais. Diante da atual crise é necessário acelerar a extração, diminuir gastos com segurança, pagar propinas para acelerar as licenças, terceirizar serviços, diminuir salários. O povo brasileiro só entra nesse projeto na hora de contar os corpos dos seus cidadãos e cidadãs. É importante discutirmos com a sociedade brasileira. É necessário que haja canais de decisão local de controle popular sobre a mineração. Fica evidente que a falta de espaços democráticos de decisão fortalece ainda mais a impunidade. Temos que construir um projeto de mineração brasileiro que atenda aos interesses do seu povo e que fortaleça os objetivos da nação. Esse projeto deve ser articulado por várias mãos: o povo da cidade e do campo, as comunidades tradicionais e os povos originários, ambientalistas e trabalhadores da mineração, igrejas, acadêmicos e movimentos Populares. A mineração no Brasil é um debate urgente e necessário.

*Militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração

Edição: Elen Carvalho