História

Coluna de Ciências | Você conhece Rosalind Franklin?

Ela conduziu pesquisas importantes, como a análise da estrutura do DNA, mas teve a participação ocultada nos estudos

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Franklin foi uma química britânica nascida em 1920 / Foto: Reprodução

O entendimento sobre a estrutura do DNA e RNA é um dos maiores feitos científicos da história. Para nós, tão familiarizados com um mundo repleto de biotecnologia, é até difícil imaginar que isso só ocorreu em 1953.

Os Ácidos Desoxirribonucleico (DNA) e Ribonucleico (RNA) são substâncias orgânicas presentes em todos os seres. São longas cadeias de moléculas menores chamadas nucleotídeos. Há basicamente quatro tipos de nucleotídeos em cada. Representam-se os do DNA pelas letras A, C, G e T. Caso não tenha um irmão gêmeo, caro leitor, você é um indivíduo único biologicamente graças à sequência única dessas letrinhas que possui em suas células. É isso que o diferencia de mim, de um cajueiro ou de um vírus.

Só foi possível compreender o que é e como funciona um ser vivo quando deciframos o DNA. Além de determinar grande parte de nossas características, essas moléculas possuem a incrível e única capacidade de se autocopiar. E é isso que diferencia essencialmente algo vivo de algo não vivo.

A solução desse enigma representa um dos casos mais contundentes de machismo na história da ciência. Três homens receberam o prêmio Nobel em 1962 por ele. Provavelmente você ouviu o nome deles na escola. Mas poucos ouvem sobre Rosalind Franklin, cientista que igualmente contribuiu com o estudo, e que teve sua participação apagada.

Franklin foi uma química britânica nascida em 1920. Em sua curta vida, a contragosto de seu pai, conduziu pesquisas importantes, entre elas a que analisava a estrutura do DNA. Os dados radiográficos que produziu deram pistas fundamentais sobre a forma de dupla hélice da molécula.

Tais dados foram passados sem autorização por um de seus colegas a cientistas dos EUA. Os envolvidos receberam a merecida fama posterior, algo que Franklin nunca pôde desfrutar, pois morreu precocemente em 1958, vítima de um câncer.

Os famosos colegas de pesquisa sempre descreviam Rosalind como alguém de convivência difícil. Talvez por isso tenham achado razoável a utilização de seus dados sem autorização e sem qualquer referência a ela. Por trás de tal atitude está o velho machismo.

Falar sobre Rosalind Franklin, sua contribuição para a ciência e o que sofreu por ser mulher é fundamental. Reescrever a história. Reforçar que mulheres produzem ciência de qualidade e são tão capazes quanto os homens. Eis um grande desafio!

Um abraço e até a próxima!

*Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais.

Edição: Elis Almeida