Balanço

Carnaval de BH cresce em público, gastos e blocos

Neste ano, 4,3 milhões de pessoas participaram. Serviços chegaram a ser 100% mais caros, mas patrocínio teve mesmo valor

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Valor total dos gastos dos foliões ultrapassa R$ 1,5 bilhão / Foto: Marcele Valina

Uma juventude bronzeada invadiu Belo Horizonte por cinco dias, onde o batuque coletivo embalou os foliões daquele jeito! As garotas solteiras, os santos e santas, o bloco da família e até o seu vizinho jogaram a sagrada purpurina em tudo que foi beco e viela. E houve até quem chamasse o síndico! O resultado foram 4,3 milhões de foliões a agitar a capital.

A Prefeitura de Belo Horizonte apresentou na terça (12) um balanço da festa entre os dias 1º e 6 de março, no qual afirma estar “colecionando números positivos”. Em sondagens feitas pela PBH, a satisfação dos turistas e moradores melhorou sobre a quantidade de banheiros, a sensação de segurança e os preços praticados. A nota dos banheiros foi a que mais subiu, de 5,3 para 6,4. A prefeitura instalou 10 mil banheiros neste ano.

“Cabe ao poder público apenas proteger, limpar e organizar, porque o próprio povo se encarrega do sucesso do Carnaval”, reconhece o prefeito Alexandre Kalil (PHS), em coletiva de imprensa. Os blocos da cidade ressurgiram há 10 anos e traziam músicas críticas ao ex-prefeito Marcio Lacerda (PSB). Porém, Lacerda acabou tentando se apropriar do carnaval de rua, como denunciaram os blocos à época.

Economia gira 1,5 bilhão

Segundo dados informados pela prefeitura, os turistas gastaram em média R$ 718 durante todo o evento. Já os moradores gastaram a média de R$ 294. Das 4,3 milhões de pessoas que curtiram o carnaval em BH, 18% eram turistas, o que significa que o valor total dos gastos dos foliões ultrapassa R$ 1,5 bilhão. Os hotéis chegaram a ter 86% de ocupação.

Com a economia aquecida e a demanda em alta, os serviços para o carnaval ficaram mais caros, segundo conta Nayara Garófalo, cofundadora do Angola Janga. O bloco, que reuniu mais de 130 mil pessoas em 2018, passou em segundo lugar no edital de verbas da Prefeitura e recebeu R$ 10 mil para subsidiar os gastos deste ano. Mas o dinheiro não chegou perto de ser suficiente.

“Só o nosso trio ficou em 18 mil”, exemplifica Nayara. “O mercado tem aumentado os preços, achando que os blocos estão ganhando dinheiro. Trios que custavam R$ 6 mil, esse ano ficaram em 12 mil. Técnicos de som, equipe, aluguel de equipamentos aumentaram, mas o edital não aumentou”, comenta. Como alternativa, o Angola Janga fez vaquinhas, pediu doações, recebeu o apoio de duas empresas, mas ainda faltou verba e ela foi complementada pelo bolso dos próprios integrantes.

Um carnaval gigante, gastos também

Matheus Brant, fundador do bloco Me Beija Que Sou Pagodeiro, concorda que os gastos aumentaram. O crescimento do carnaval vem exigindo dos blocos uma estrutura cada vez maior, assim como serviços mais específicos. Por exemplo, neste ano a prefeitura pediu uma vistoria da via, das árvores e fios de energia elétrica por onde o bloco iria passar. Isso demandou a contratação de um profissional.

“Achar uma sintonia fina entre atender as exigências do poder público e preservar a espontaneidade do carnaval é essencial e difícil”, conclui Matheus.

Edital

O edital da Prefeitura de Belo Horizonte contemplou 84 blocos de rua neste ano, que receberam entre R$ 3 mil e R$ 10 mil. A PBH angariou um total de R$ 8,3 milhões em patrocínios da Skol, Uber e da empresa Do Brasil Projetos e Eventos.

Nayara reconhece que a Belotur tem melhorado os critérios do edital, valorizando blocos que possuem trabalho social durante todo o ano e blocos de favela. Porém, como sugestão ela levanta a ideia: por que não criar uma comissão mista, dos blocos e poderes públicos, para coordenar os próximos carnavais?

Edição: Joana Tavares