Memória e Justiça

Paraná realiza atos pela memória de Marielle Franco e Anderson Gomes

Em Curitiba,  mais de 500 pessoas se concentraram durante a noite na Praça Santos Andrade. Interior também se mobilizou.

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Além de resgatar a memória de Marielle, ato denunciou genocídio contra população preta e periférica / Giorgia Prates

No dia em que se completou um ano do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, na quinta-feira (14), algumas cidades do Paraná fizeram parte do movimento nacional dos que se mobilizaram por suas memórias ressoando a pergunta "Quem mandou matar Marielle?", na denúncia à violência contra mulher.

Em Curitiba,  mais de 500 pessoas se concentraram durante a noite na Praça Santos Andrade, no centro da capital. Integrante da Marcha Mundial de Mulheres, Ana Carolina Dartora foi uma das pessoas que participou da mobilização. Segundo ela, a comoção em torno da Marielle está relacionada à atuação política e a quem a vereadora representava:

“Eu já ouvi falar que os movimentos sociais e que alguns partidos de esquerda estão envolvidos na pauta pra se promover, o que é absurdo porque Marielle trazia com ela muitas bandeiras, da mulher negra, lgbt, população periférica. Ela representava muitas pessoas, e me representava”, afirma.

Telma Mello, uma das organizadoras do ato, lembra que outras ações foram realizadas neste último ano para exigir a solução do crime. Agora, com a prisão de dois ex-policiais acusados de executarem Marielle, ainda resta saber quem foi o mandante do crime.

“Isso tocou bastante as pessoas que têm essa consciência que não é só Marielle, gente preta como eu que são mortas pelo genocídio da pm, da justiça. (…) Agora queremos saber quem mandou matar Marielle: qual é o miliciano que matou, e porque tiraram o delegado da condução do crime”, indaga.

Um dos responsáveis pelo caso, o delegado Giniton Lages foi afastado do caso. Inicialmente houve a suspeita que o afastamento se deu em razão de o delegado revelar que um dos policiais presos morava no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro, e que um dos filhos do presidente havia namorado a filha do miliciano. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, alega que o delegado irá fazer um intercâmbio na itália.

A professora do curso de pedagogia da Universidade Federal do Paraná, Lucimar Dias, lembra que a mobilização não pode encerrar, há ainda questões muito importantes a serem solucionadas: “E mesmo respondendo quem mandou Matar Marielle nós precisamos continuar organizadas, porque há muitas lutas para serem enfrentadas na sociedade brasileira no atual momento. O feminicídio está espantoso, então nós precisamos continuar essa luta” finaliza.

Outros atos

Outras ações pelo um ano da morte de Marielle também foram registradas em outras cidades do Paraná. Em Londrina, mulheres do movimento dos trabalhadores rurais sem terra realizaram uma campanha de doação de sangue para denunciar o assassinato de Marielle e Anderson e, ao mesmo tempo, ajudar a salvar outras pessoas. Na mesma cidade, jovens também colocaram o nome de Marielle Franco na rua da praça onde está a concha acústica. Nos campos gerais paranaenses, em Ponta Grossa, mais de 100 pessoas participaram de uma marcha em memória a vereadora carioca. Em Cascavel, no oeste paranaense, moradores do assentamento da reforma agrária Valmir Mota inauguraram uma das ruas do local com o nome da vereadora.

 

 

 

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Edição: Laís Melo