Perseguição

Qual é o papel dos EUA no mundo hoje?

Com novas técnicas de guerra, as chamadas “Guerras Híbridas”, país desestabiliza governos com os quais não concorda

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Jair Bolsonaro e Donald Trump no Jardim das Rosas. / Kevin Lamarque | Reuters

Perseguido e exilado há sete anos na embaixada do Equador em Londres, Inglaterra, o ativista digital Julian Assange foi perseguido pelo governo dos EUA desde que tornou públicos documentos confidenciais desse governo, em 2010. No dia 11 de abril deste ano, foi preso quando o atual presidente do Equador, Lênin Moreno, retirou o direito de asilo diplomático.

A prisão é só mais um entre tantos fatos que reforçam: os EUA segue vestindo o seu papel de “xerife” do mundo. Os problemas aumentam quando, em apenas 121 dias, o governo Bolsonaro aproxima-se do governo Trump e, com isso, afasta-se de outros países. No dia 16 de abril, Bolsonaro anunciou a saída do Brasil da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) – espaço de articulação dos países do sul. Sinalizou possibilidade de abrir as portas do Brasil para tropas estadunidenses caso haja intervenção militar na Venezuela.

É fato que houve no mínimo seis guerras em países ao redor do mundo desde a Guerra do Iraque, em 2003. Antes, durante o século vinte, foram 50 intervenções dos EUA e da sua agência de inteligência, a CIA, contra governos de diferentes países. “Os EUA sempre foram ativos na tecnologia militar e espionagem no mundo. Eles passaram a última década do século vinte e a primeira do século 21 sendo a única potência do mundo, política, militar e econômica. E estão agora enfrentando uma séria ameaça vinda da Eurásia (sobretudo China e Rússia)”,  analisa Chrysantho Scholl, professor de Direito e História.

Estados Unidos adotam as “Guerras Híbridas”

A palavra “híbrido” quer dizer mistura. A recente obra “Guerras Híbridas”, do autor Andrew Korybko aponta – a partir do caso da Síria e Ucrânia -, como o governo dos EUA passou em anos recentes a promover a desestabilização de governos com os quais não concorda – usando de diversas técnicas não convencionais (mobilização, notícias falsas, criação de oposição), o que antecede o uso de força militar.

“No Vietnã, foi uma guerra truculenta como tantas que os EUA fez, mas vazou para a imprensa imagens do que eles fizeram nessa operação de guerra. Então, em certos momentos não é conveniente fazer uma guerra convencional para tirar um governo rival. Era preciso uma nova forma, consistindo numa operação de guerra disfarçada de revolução popular. Eles instigam as pessoas a participar de revoltas que no fundo são organizadas pelos EUA. Isso aconteceu na ‘Primavera Árabe’ e no Brasil”, explica Chrysantho Scholl, professor de Direito e História.

                                      

Edição: Laís Melo